quarta-feira, 30 de abril de 2008

Chinatown

Domingo foi dia de Chinatown. Saí de metrô e desci no coração do bairro étnico oriental mais famoso do mundo. Letreiros em chinês me receberam, e a confusão, barulho e mistura de cheiros que havíamos sentido semanas atrás quando desembarcamos ali perto por engano era a mesma. A idéia era visistar alguns pontos mais clássicos e dar uma volta pelas redondezas para sentir o clima das diferenças. A primeira parada deveria ser o templo budista Mahayana Buddihist Temple, mas o mapa que levamos estava um pouco confuso e acabamos perdendo a noção do lugar. Depois de muitas voltas acabamos descobrindo que o templo era exatamente onde nós desembarcamos...amadorismo.



Apesar do vermelho e dourado predominantes e da pouca luz, internamente um ambiente muito descontraído que contrastava com a austeridade dos leões dourados contra o fundo vermelho da fachada. Um Buda gigantesco tomava o centro das atenções, rodeado por flores e oferendas de frutas, o que nos fez pensar que no final das contas todas as religiões são a mesma. Vimos orientais chegando e fazendo reverências ao Buda, três flexões com a cabeça, três bastões de incenso acesos. Pessoas ajoelhadas dando graças ou pedindo, e quando pedi para tirar fotos o encarregado respondeu sorridente com um No problem com sotaque oriental.

Antes de chegarmos de volta ao templo, nos perdemos pelas ruelas intricandas de Chinatown. Lojas com produtos na rua e muitas, muitas pessoas se acotovelando na manhã gelada de New York. Toda a sinalização é escrita em chinês, mas em muitos locais é acompanhada em inglês. Os cheiros de incenso, azeite, fritura e perfume se misturam porque uma loja pode vender roupas, peixe cru, peixe vivo e remédios. Patos assados ou um bicho que não sabemos o que é ficam dependurados nas vitrines, aparentemente uma especiaria, mas longe da idéia de algo saboroso para um pobre ocidental criado em Porto Alegre. A gordura escorre pelo vidro.




Descemos até um templo cristão, a Church of the Transfiguration com seu teto de cobre esverdeado, incrustrada em pleno bairro budista. Entramos cuidadosamente, desconfiados. Lá dentro, em meio a um cheiro ardente de incenso oriental um padre pregava em chinês para uma dúzia de chineses cristãos. Uma música oriental em instrumentos de corda dava o clima de filme trash, e fotografias de um monge enchiam as paredes ao redor de sua própria imagem em tamanho natural. Muito estranho. Saímos dali em silêncio para entrar numa loja de especiarias em comida. Estômago de peixe seco inflado como um balão era a coisa mais conhecida que encontramos. No mais havia barbatanas, rabos e gosmas, bolas, caroços, geléias pretas e roxas em vidros repletos de líquidos, que mais pareciam um museu de ciências de colégio do que uma loja de gourmet. Diferanças totalmente culturais.


Depois entramos em algumas lojas de presentes, compramos umas coisinhas para lembrar de tudo isso e na saideira demos de cara com uma peixaria que vendia peixe morto e peixe vivo, assim como lagosta, camarão, ostras e outras conchinhas andando em aquários azulados com um calendário da miss universo como decoração de fundo. Mas o mais impressionante foi uma coisa meio bege, cor de gordura e forma de feijão, do tamanho de um mamão papaya, enrrolada em um saco plástico ao lado dos peixes mortos, com linhas vermelhas e pretas, que chamou nossa atenção. Ficamos os dois em silêncio por uns instantes olhando aquilo enquanto parecia que Chinatown havia parado. Não dava para saber o que era de tão estranho. Passados alguns segundos nos viramos e voltamos a caminhar, ainda num silêncio contemplativo, que só foi quebrado quando eu consegui discursar filosoficamente propondo que mantivéssemos o silêncio por mais alguns minutos em respeito àquela coisa estranha que podia ser qualquer coisa.
De volta para casa comecei a sentir uma coceirinha na gaganta, e a gripe que se seguiu segunda-feira para mim só pode ter sido resultado daquela loucura urbana que é Chinatown, superpopulosa e frenética mistura de todas as coisas num espaço disputado, caótico que sobrecarrega os sentidos, mas que vale a pena ser visitado pelo menos uma vez na vida.




sexta-feira, 25 de abril de 2008

Central Park

Sábado! Acordamos animados. Pegamos a linha 01 do Subway na 42nd street e descemos na Penn Station. Era o dia do One Day Sale at Macy´s (Liquidação de um dia da Macy´s). Não sei se falei, mas a Macy´s é uma loja de departamentos gigantesca, ocupando oito ou nove andares de uma quadra inteira. No dia de liquidação os preços chegam a 80% de desconto. Nem todas as mercadorias entram em oferta, mas algumas araras ficam com uma placa em cima e indicam quanto estão é o desconto para aquelas roupas. Compramos umas coisinhas... na saída pegamos o metrô de volta, e na estação todo mundo tinha sacolas brancas com uma estrela vermelha, símbolo da Macy´s, lembrei do PT.


Deixamos as coisas em casa, pegamos o metrô linha 1 em direção do Bronx e descemos na 96th, mais ou menos na metade do Central Park, na altura do antigo reservatório de água da cidade, hoje um lago chamado Reservoir Jaqueline Kennedy. Saímos caminhando parque adentro, entrando pelo Gate of All Saints , o portão na rua 96th (bonito né?).


O Central Park é fantástico. eu sempre achei que ele era como uma Redenção da vida ou mesmo um Parque da Cidade, mas estava enganado. O famoso paisagismo de Olmsted de 1858, que criou o conceito de parques urbanos, é fabuloso. Mesmo passando por grande revitalização nos anos 90 promovida pelo prefeito Rudolph Giuliani (você já ouviu falar dele, é o cara do Tolerância Zero) o parque tem uma estrutura básica excepcional. Os espaços se sucedem com surpresas, abrindo e fechando visuais, bem como a boa arquitetura deve ser para os espaços fechados.
Grandes espaços vazios permitem que os usuários pratiquem esportes ou simplesmente se exibam ou compartilhem. Espaços mais silvestres ou menos abertos permitem o isolamento.
















Grandes esplanadas projetadas para apresentação de performances e pequenos nichos temáticos se intercalam. A vegetação, os desníveis, as massas de água e mesmo as rochas (existem muitos conjuntos rochosos), bem como os caminhos que se cruzam por passarelas e pontes aproveitando os desníveis para criar diferentes níveis de atividade são muito, mas muito bem pensados. Além disto, toda a mística do Park, tantas vezes salientada no cinema vem à tona quando a gente está dentro dele. O skyline (desenho do perfil dos prédios contra o céu) marcante de New York é filtrado pelas árvores de folhas caducas, criando aquele famoso ar novaiorquino. O mais importante do Central Park, no final das contas, mesmo lotado como estava, seguindo o exemplo de Manhattan que está sempre lotada em qualquer lugar que você vá, ainda assim é um parque que pode ser de todos, mas é também um parque que pode ser de cada um.



quarta-feira, 23 de abril de 2008

Comer, comer

Estou uma semana atrasado! Segunda passada foi dia de supermercado. Ao contrário do que dizem, não existem só supersizes por aqui. As embalagens gigantes praticamente se resumem a sucos, salgadinhos e cereais, mas mesmo assim sempre tem os tamanhos menores. No supermercado tem de tudo que se pode imaginar de qualquer lugar do mundo, inclusive feijão preto. Aliás, mais barato ou o mesmo preço de Brasília, US$ 1,29 a libra (R$ 4,00 o quilo) com instruções para fazer na embalagem!...comprei e comi um feijãozinho muito bom depois de deixar ele de molho por um dia e meio porque não tinha panela de pressão. Então, brasileiro em New York com saudade de feijão é vagabundo mesmo.

Ainda sobre comida, alguns mitos que vão sendo derrubados. As lojas do McDonalds são poucas e estão sempre vazias, exceto nas regiões turísticas (aliás, são muito sujas e esculhambadas). Pelo menos em NY a galera come muita (mas muita mesmo) salada. As delis têm saladas prontas com seleções de folhas variadas, você compra e mistura na hora com os ingredientes que quiser, depois senta num muro qualquer no sol e...enjoy! Além disto os sanduíches do lunch são feitos sem nada de fritura, tudo grelhado ou assado.O almoço não vale nada, o que vale é o breakfeast. De fato, eles dão pouca importância para o almoço, parando para comer rapidamente, de onde (talvez) vem a expressão fast food. Mas ao contrário do que a gente pensa, fast food aqui não quer dizer Burger King, McDonalds ou Pizza Hut, quer dizer exatamente isso: comida rápida. O hábito de parar por vinte minutos, comprar algo para comer, comer sentado num banco na rua ou na sua mesa do escritório é o mais comum. As Delis não têm prato de louça, é tudo de plástico (aquelas embalagens de bolo de supermercado, com tampa). Os talheres são de plástico também e não existem copos, a gente "toma no bico" como se diz lá em Palmeira das Missões. Todo sushi tem abacate, ou avocato como eles chamam. Também se come muita sopa, um combo de sopa, pão, uma maçã, um chocolatezinho de sobremesa e meio sanduíche sai por seis dólares...uma pechinca. Se colocar um chá gelado junto fica em 8 (cerca de R$ 14). Tudo é muito apimentado, acho que é por causa do monte de mexicanos que vivem aqui e trabalham nas cozinhas, mas pode ser que eu esteja enganado.

As fotos aí em baixo são só para encher linguiça...uma pizzaria chamada John's Pizzeria na 44TH Street em frente ao Majestic Theater ( o do Fantasma...) dentro de uma igreja onde as pessoas que trabalham usam camisetas dizendo "no slices" (sem fatias) com uns garçons paranóicos (com medo de que a gente seja turista entrando só para descansar) que recebem a gente dizendo 'no slices'. A outra mostra pessoas comendo embaixo de uma escultura urbana na hora do almoço.



domingo, 20 de abril de 2008

Eu sou a lenda

Sábado fui até o Intrepid (se você não leu o post anterior, não sabe do que estou falando, volte lá e leia, seu preguiçoso). Depois para a Washington Square, na 5th Avenue, perto do West Village.Era lá que o doutor Robert Neville (Will Smith) do filme I am Legend (Eu sou a lenda) morava, em frente ao arco do triunfo feito para homenagear um presidente (acho que foi George Washington).



A praça é um centro de convivência que ganhou vida porque ao redor dela estão os prédios da New York University, espaços públicos muito acolhedores e lotados de gente curtindo o calor. Mais adiante um flea market (feira de pulgas) com comida, roupas, objetos de decoração, arte e bijuterias ocupando umas três quadras. Almocei um crepe feito por uns mexicanos com limonada espremida na hora, sentado no muro da NYU.

Nos arredores de Washington Square está o Washington Meadows, antigas cocheiras que os caras ricos compraram e transformaram em uma rua particular com casas de luxo. As fachadas são super simples, mas dá para enxergar para dentro e ver que tem uma estrutura bem legal por detrás, com pátios internos e salas amplas. Muito interessante sob o ponto de vista de arquitetura, parece que se está em alguma ruela de Paris lá pelos lados de Montmartre, ao redor da Sacre Couer.

Na sequência caminhei pela Broadway até a Prince Street na área de Nolita (North of Little Italy). Depois foi voltar para casa que era fim de dia, uma passada na Victoria Secret para comprar uns creminhos porque a pele seca um monte por causa do frio. Á noite estava muito cansado para sair e acabei cozinhando em casa e vendo filme na TV. Domingo acordei mais tarde e depois do café fui até Battery Park, que fica bem na ponta de Manhattan. De metrô, desci no Staten Ferry, a estação de onde saem os barcos para a Estátua da Liberdade. Muito frio. A temperatura caiu demais e o vento vindo da península era muito forte. Saí dali voando, ou quase, correndo e prometendo que vou voltar quando esquentar. Dali subi pela Broadway (não sei se vocês perceberam, mas tem Broadway em toda a Manhattan, ela começa no Harlem e vai até Downtown), passei outra vez pelo touro de Wall Street e resolvi descer para contornar o Ground Zero e ver se dava prá enxergar lá dentro pelo outro lado.



Tive uma surpresa pois me deparei com um memorial aos bombeiros mortos no atentado. Muitos, muitos mesmo. Da rua é possível ver a parte do WTC que foi atingida e que ainda não foi toda removida. Os destroços são desconcertantes. A sensação é muito forte, e não importa quem começou o conflito, a sensação é de que isto não poderia ocorrer em lugar algum do mundo. Na lateral do grande vazio urbano que se formou no local, um quadro exibe o nome de todas as mais de 3000 vítimas do atentado. O processo de identificação dos corpos ainda não terminou, outro dia ainda vi uma notícia sobre isso na TV, tinham identificado mais três pessoas. Vale lembrar que não foram só as duas torres de 110 andares cada uma que desabaram. Com elas caíram mais 5 prédios ao redor do complexo e uma igreja histórica ortodoxa grega (somente pelo impacto e trepidação). Os demais prédios eram 2 de nove andares, um de sete, um de 22 e um de 47, onde funcionavam escritórios da CIA, do Departamento de Defesa, da Comissão de Segurança dos EUA, do Serviço Secreto e do Serviço de Imigração. A reconstrução já começou e está prevista para terminar em 2012. Excelentes fotos do estado atual e da proposta podem ser vistas no site oficial do WTC http://www.wtc.com/media/ . Almoçei numa cantina ao lado do WTC onde foi montada uma base de apoio aos bombeiros após o atentado, as fotos da época ilustram as paredes, e a placa pintada em letras verdes com letra de pichador dizendo Medical Station é uma orgulhosa lembranca do proprietário que montou dentro do restaurante uma base para os paramédicos. Depois peguei o metrô para a Bowery para ver um museu recém inaugurado, e caí em Chinatown.
Dei de cara com uns caras jogando futebol com fardamento e tudo num gramado sintético em meio á confusão de lojas vendendo roupas e peixe…como na música do Titãs, tudo ao mesmo tempo, agora. Surreal. O cheiro das lojas é horrível, mas vou voltar a Chinatown para ver que bicho que dá.

Caminhei até a Bowery com a Prince e encontrei o New Museum of Contemporany Art. Muito bom! O Lu ia adorar, ele é todo feito de material alternativo, principalmente telas metálicas. No térreo uma exposição mostra as maquetes do escritório de arquitetura para o desenvolvimento do museu e outras obras. Voltei pela Prince em direção ao SoHo outra vez curtindo uma feirinha de rua, com roupas muito legais para homem. No endereço da etiqueta dos ternos estava escrito “Store: Prince st", o que quer dizer que a loja do cara é aquela esquina onde ele estava sentado com as roupas numa arara, escorado em um muro. Dali fui para o Amish Market, o supermercado perto da minha casa, comprei algumas coisas e fui descansar. Sábado me matou, foi muita atividade para aproveitar o calor.

sábado, 19 de abril de 2008

Novos parques

Depois de uns dias afastado, estou de volta com mais atualidades. Aí vão as novidades novaiorquinas. Depois do final de semana de museus, passei uma semana rotineira. O frio permaneceu o mesmo, mas estou mais acostumado com os 7 graus diários e isto não faz mais diferença. Durante o dia bastante trabalho, e à noite saio para dar umas voltas a pé pelas redondezas. Sempre tem alguma coisa nova para ver. Mas bom mesmo são os finais de semana. No último weekend estava muito quente. A temperatura passou dos 16 graus e senti bastante a diferença. Deu prá sair de camiseta e com um casaquinho leve do Yankees por cima. Fui direto para o Intrepid Air Space Museum. Para quem viu o filme Eu Sou a Lenda fica fácil lembrar, é aquele porta-aviões onde o doutor Robert Neville joga golfe na asa de um caça abandonado. Na verdade o Intrepid é um porta-aviões onde funciona um museu carregado de aviões, além de um submarino e um avião Concorde aposentado. Ele permanece ancorado no píer 84 no Hudson River, numa grande área portuária transformada em parque (Hudson River Park). Fui até o local, mas para meu azar o Intrepid está em reforma e foi recolhido para sabe-se lá onde e só volta em 170 dias (segundo a placa que deixaram no local).



O Hudson Park é super interessante. Um espaço público com o tradicional dog run novaiorquino, um lugarzinho cercado onde os cachorros ficam soltos brincando uns com os outros. Além disto tem excelentes vistas de New Jersey do outro lado do rio.


Dali fui caminhando até o Pier 78 - New Jersey Ferry um dos lugares de onde saem os barcos para New Jersey. Excelente arquitetura. A Canon ficou sem bateria, mas ainda consegui fazer umas fotos, um excelente conceito de espaço para terminais de transbordo, clean e aconchegante ao mesmo tempo.
















A próxima parada foi voltar até a rua 42 e pegar o metrô. Foi minha primeira situação de apreensão por segurança desde que cheguei. Perto da rua 40, próximo do parque, cruzei uma área bem degradada e uns caras estilo gangue, com direito a calça gigante, correntão dourado no pescoço e tênis de basquete. Mas tudo certo, parece ser muito mais o estereótipo que o cinema criou do que perigo real. De metrô, fui até Washington Square, mas isto é outra história.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Fim de semana que é bom!

Sábado, depois da ressaca de sexta no Village, acordei mais tarde e fiz um cafezinho em casa, com torradas e geléia de framboesa. Saí para fotografar alguns prédios que tinham ficado para atrás no SoHo, o Singer Building (que era depósito das máquinas de costura e é do final do século XIX), estrutura metálica e tijolos, um exemplar belíssimo do período da industrialização do aço. O outro, o Haughwout Building (foto) é onde Elisha Otis instalou seu primeiro elevador em 1856, permitindo a verticalização da arquitetura ao inventar o freio automático para a cabine. Procurei a galeira de arte Louis K. Meisel (onde trabalhava a personagem Charlotte do Sex & the City, mas não achei, que droga, era uma excelente futilidade…).



Almoçei num Tex-Mex contemporâneo (comida mexicana modernizada) chamado Dos Caminos, ótimo ambiente, comida boa e barata, menos de $ 30. Depois o fecho da mochila estragou e resolvi voltar para largar ela em casa, deixar algumas tralhas e sair para olhar o prédio novo do New York Times (do Renzo Piano), inaugurado em novembro de 2008, indicação do Luciano Calvin Andrades. No caminho, resolvi passar na TKTS que vende tíquetes para o teatro com desconto, uma confusão de gente ao redor dos painéis eletrônicos que informam as promoções, e lá estavam eles: tíquetes para o Fantasma da Ópera com deconto de 50%. Encarei a bagunça das filas (decididamente, americanos não são bons em organizar fila) até que cheguei em um dos oito guichês: The Phantom, please, the best quote you have…(O Fantasma, por favor, o melhor preço que você tiver). E lá vem o cara! Ingresso na Orchestra, o melhor lugar do teatro, 50% de desconto. Saí feliz da vida caminhando pela 46th , na volta tomei um Caffè Mocha no Starbucks, voltei para casa e saí para o teatro. No Majestic, na 44th, um teatro antigo e de tijolos onde o Phantom of the Opera se apresenta há 20 anos, uma fila enorme para entrar. Entrei bem rápido, uma senhora muito velha e muito simpática me recebeu sorridente e indicou o caminho. Ótimo lugar. Depois que o musical começou não tem mais o que falar, é indescritível. Se você vier a New York, não perca, peça dinheiro emprestado, mas não perca. Depois do teatro voltei a pé para casa (ao melhor estilo hollywoodiano), não sem antes passar no Cafe Metro e comprar uma salada e um sanduíche.



Domingo foi dia de arte. Acordei tarde outra vez e fui para o Metropolitam Museum dentro do Central Park, 2 milhões de ítens e uma ótima coleção de Pop Art. A área de peças para estudo entre 3600 aC e o ano 300 é muito legal, com um sistema informatizado onde se pode saber detalhes de cada peça num toque de tela. A sessão de arte da Oceania é deslumbrante. Peças que parecem pré-históricas mas foram recolhidas pelo filho do Rockfeller nos anos 60 (que morreu nesta expedição). Depois as pinturas…ah, as pinturas... Além de ficar cara a cara com o auto-retrato de Van Gogh, ainda vi sua coleção de ciprestes; Picasso, seus touros e a fase azul; Gauguim, Matisse, Klimt, Monet, Modigliani e suas figuras sem olhos, Dali, Renoir e muitos outros. Jackson Pollock ... bem, Pollock é uma história comprida e boa, mas deixe isso prá lá.

















Depois fui surpreendido pela arte desconcertante de Andy Warhol, cujas serigrafias mudaram o caminho da arte e criaram a Arte Contemporânea como a conhecemos hoje. Para quem curte história, ver a Lata de Sopa Campbells ao vivo traz à tona todo seu significado cultural. É muito impactante. Descobri Roy Lichenstein e Chuck Close, com seus painéis gigantes e excepcionais. Acreditem, o cara aí em baixo se chama Mark, o quadro tem 4x5 metros de altura e é uma pintura!















Na saideira ainda consegui um táxi numa ferrenha luta com uns velhinhos do outro lado da rua, depois de perder três outras batalhas. À noite foi um carreteiro com uma carne chamada Top Chuck Boneless que comprei no super só na base do apertão para saber se era macia, e de sobremesa tangerinas, que eles chamam Mandarim e que os gaúchos chamam de Vergamota. Comendo carreteiro e bergamota domingo à noite, graças a Deus, só faltou o Fantástico.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

DAY NINE - Just another day

Dia Nove - Somente um dia comum.



Hoje caí na rotina. Trabalhei bastante não fiz nenhuma coisa emocionante. Saí no happy-hour para conhecer um bar chamado Rudy´s na 9th Avenue. Muito aconchegante, com um porteiro de 300 kilos supersimpático, cachorros quente de graça e bebida barata. O lugar is pequeno e desgatado pelo uso, como toda Manhattan. Amanhã é sexta e vou quebrar tudo no SoHo depois do trabalho. Talvez nem tenha postagem, portanto, preparem-se, sábado vamos ter muito que conversar.





FUTILIDADES

Descobri um supermercado. Pode parecer ridículo, mas para mim foi fundamental. Comer fora o tempo todo é mesmo o meu estilo, mas nada como dar uma recarregada fazendo um jantarzinho bem tranquilo em casa. Os preços não são baratos, mas a variedade de produtos impressiona.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

DAY EIGHT - Experiências Thailandesas

Ok. Haja o que houver, quando você for no Bangkok House na Restaurant Row (rua cheia de restaurantes na west 46th entre a 8th e 9th ave) peça light spicy. Ontem jantei neste thailandês, um dos dez mais de NY segundo o Zagat (um guia de casas noturnas, bares e restaurantes daqui). Digamos que foi uma experiência gastronômica...assim...como direi...nova? Escolhi o menu degustação, com direito a sopa, entrada, prato principal, chá quente, sobremesa e muita, muita água. A sopa era de côco com cogumelos e galinha. Isso mesmo, não errei. Galinha cozida em água de côco com cogumelos é exatamente isso que parece, uma coisa doce, muito doce e quente, uma festa para o paladar, mas impossível de tomar mais de três colheres. A seguir, a entrada. Até aí tudo certo, a entrada era uma salada de alface e rúcula com dois bolinhos primavera, um molho que até agora eu não decifrei e outro com pimenta. O molho tinha os seguintes ingredientes que consegui identificar: pimenta, mel, gengibre, amendoim, alguma coisa laranja e pedaços de uma outra coisa gosmenta. No final era bem gostoso, mas muito estranho...e doce também. O prato principal veio um beef com molho red curry e um Pai-Thai, macarrão frito com legumes não identificáveis e camarão, obviamente, doce...bem doce e picante: carne com leite de côco, vagem, pimentão, aspargos e pimenta. Nem baiano nem goiano ia aguentar aquilo. Mas eu comi. A água aqui nos restaurantes de jantar é de graça, e eu bebi, mas bebi água. Tanto que a menina que servia chegou a rir de tanto que encheu meu copo. No final, chá. Fiquei com medo do chá, mas era só chá sem açucar, e ri um bocado porque parecia chimarrão sem bomba nem cuia. Por fim, bananas enrroladas em uma massa tipo crepe e chantili e sorvete de côco. Quando o garçom veio tirar o meu prato falei que era muito picante e ele descaradamente me diz: Oh...you must order light spicy (você deveria ter pedido pouco apimentado)...ah tá...light spicy eu murmurei me babando (porque a língua estava amortecida). Como eu não disse nada, eles me mandaram o tradicional, ou seja, só quem come é tailandês e goiano. O preço, 17 dólares por pessoa, nada mais do que uma pizza em Brasília.



FUTILIDADES

Dizem que quem passa a mão nas bolas do touro no Financial Center (bem próximo de Wall Street) tem sucesso no mercado de capitais. Adivinhem se eu passei? Mas a foto comigo com a mão nas "partes" do touro ficou tão nojenta que foi censurada. Coisa terrível essa de ser supersticioso.

terça-feira, 1 de abril de 2008

FIRST WEEK is over...


A primeira semana acabou...


Hoje complei a primeira semana de NY. OAlguém me mandou um email e quer saber como eles são, os novaiorquinos. Muito legais, até agora. São cordiais para dar informação, apesar de não fazerem nenhum esforço em falar na língua dos outros. Repetem setenta vezes cada frase, mas não arriscam nenhuma palavra em outro idioma que não seja inglês. Fui mais maltratado no consulado brasileiro do que por qualquer novaiorquino até agora. Hoje, como recompensa pelo frio da semana passada, esquentou. Maravilhosos e quentes 14 graus de manhã, tive vontade de sair de manga curta!




A ONU fica a cerca de 1 quilometro e meio do MoMa (que fecha às terças), em linha reta. Como não é possível fazer essa linha reta, é preciso ir da 53rd até a 45th (caminhando pela 5th Avenue) e depois mais seis quadras até a 1st Avenue, onde está a ONU. No total são mais ou menos 18 quadras. O complexo da ONU é muito grande e vai da East 42nd até a East 48th street, sendo que o prédio principal fica mesmo no eixo da 44. Na mesma região está o Chrysler Building e a Grand Central Station, principal estação de trens urbanos, competindo com a Penn Station. O visual a partir da Grand Central Station é muito legal. Dá para ver a Grand Central (eclético), o Chrysler (Deco) e a ONU (Estilo Internacional) tudo na sequencia. Olhando para o outro lado se vê o MetLife (com participação do Gropius no ano em que eu nasci - 1963), 246 metros de altura. Mas o Chrysler continua a ser o símbolo de New York, pelo menos para mim.




Hoje nos vinte minutos de almoço dei uma circulada pela Diamond Row. Uma rua de joalherias que vendem todo e qualquer tipo de diamante. Judeus Hassídicos e outros que eu não sei de que corrente são (...), espalhados pela rua e as vitrines brilhando mais do que sapato de guri em dia de missa. Não deu para tirar foto porque tem um monte de seguranças nas calçadas e eu fiquei intimidado (não se iluda, você também ficaria).