terça-feira, 9 de junho de 2009

VIAJANDO MUITO - DIA 03

Hoje foi um dia duro. Acordei cedo e antes das 8 da manhã estava na Grand Central para pegar o trem para Bridgeport, 1 hora e 20 minutos. Em compensação fui vendo parte do litoral do estado de Nova Iorque até entrar em Connecticut, um dos estados de New England, porque lá se estabeleceram os primeiros colonizadores ingleses. Estranho porque quando eu fui à Pennsiylvania também diziam isso...deve ser que nem no Brasil, tudo quanto é lugar tem a Capital da Fruta, ou Rainha das Flores, Princesinha do não-sei-o-que. Caminhamos para caramba, trabalhei, e depois de volta para a estação. Voltamos para Nova Iorque, mais uma hora e vinte de trem, chegamos na Grand Central de volta. Pegamos o metrô, trocamos de linha, chegamos na Penn Station, no coração de Manhattan e de lá pegamos o trem para Newark. Ufa! Só de lembrar me dá canseira. Caminhamos mais um monte, trabalhei, voltamos para a estação, trem de volta e Penn Station de novo. Ufa de novo! Minhas pernas estão acabadas e eu demolido. Ainda deu tempo de sair correndo da Penn, pegar o metrô, trocar de trem na Times Square, descer, caminhar oito quadras, a tempo de comprar uma encomenda. Depois da 59 até a 46 "apézito no más". Estou morto. Trabalhar é aqui.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

NEW YORK - DIA 02

BATMAN
Hoje não aconteceu nada. Só trabalhei. O povo daqui que trabalha comigo já era agitado em 2008, agora então, que estamos a uma semana de começar a operar, está uma loucurada geral! Ontem á noite quando estava voltando para casa vi uma figura vindo em minha direção. No meio da rua meio abandonada em que eu estava me pareceu que era o Batman, e achei estranho (óbvio), mas como estava escuro, só pude ver que era mesmo o Batman poucos metros antes dele cruzar por mim. Um enorme de um negro (uns 2 metros de altura) fantasiado de Batman, numa fantasia muito bem feita, muito parecida com a do filme. Tentei ligar a camera para fotografar (essa porcaria de Nikon), mas ele já tinha desaparecido do outro lado da rua quando o sinal abriu. Cheguei no hotel rindo sozinho...só mesmo aqui para isso acontecer. Gotham City é aqui!














HOPE (esperança)
Mensagens de esperança e de que tudo vai se resolver aparecem em todo lugar. A eleição de Barack Obama contribuiu para isso. Ontem descobri que teve um megashow em NY no dia da posse que se chamou, "Goodbye Mr Bush", uma peça de teatro, uma comédia de despedida com um cara imitando o Bush durante um monólogo de uma hora (ou algo assim). A eleição de Obama trouxe uma nova vitalidade para o país, todo mundo comenta isso. Pensando assim, em um momento de crise extrema e um nome em torno da esperança de todos por um futuro melhor, lembrei da eleição do Presidente Lula, se aqui for como no Brasil, tudo vai mesmo melhorar.

NEW YORK - DIA 01

Cheguei hoje pela manhã. Acho que no vôo da TAM sentei no setor Gay. Não tenho certeza, mas tenho a sensação de que é porque a Gay Pride Parade está próxima, deve ser isto. Minha primeira impressão de voltar aqui é que a cidade realmente sentiu a crise. Muitas lojas fechadas no domingo, e muitos espaços para alugar em áreas nobres, onde o valor do aluguel era mais alto, como a Quinta Avenida e as redondezas do Bryant Park, ao lado da biblioteca. Quando tentamos alugar um prédio para o banco ano retrasado, praticamente não havia espaços disponíveis nessa região em Manhattan, hoje contei cinco, sem procurar.

Como sempre, caminhei mais do que devia, mas antes, como o check in do hotel era só as 3 PM e cheguei as 9 am, sentei no café Starbucks da esquina da 51 com a Broadway, nos mesmos lugares onde eu sentava para ver o mundo passar em 2008, e percebi que a Broadway, uma das avenidas mais famosas do mundo ao lado das Ramblas e da Champs-Elysees, estava mudada. Antes tinha seis pistas, e agora só tem três. Um canteiro central, ou parte dele, criou vagas de estacionamento, e as outras duas pistas ficaram para emergência e a outra para uma ciclovia. Ou seja, a Broadway agora entre o Central Park e a Times Square (justamente a parte mais famosa) está modificada.

Na Times Square os caras interromperam a Broadway e criaram um calçadão, ou quase. Espalharam um monte de cadeiras para os turistas exaustos sentarem no local mais procurado da cidade, bem interessante. O domínio que a municipalidade tem sobre a cidade é surpreendente, imagine tentar interromper alguma mega-avenida numa capital do Brasil (!). Mais interessante ainda é ver a cidade num ritmo frenético e algumas pessoas deitadas nas cadeiras espreguiçadeiras dormindo.

Á noite fui ver um mega telão que montaram justamente lá neste local com a transmissão ao vivo da entrega do prêmio Tony, o Oscar do teatro. Muita gente assistindo e torcendo, gritando e batendo palmas. A remontagem de Hair ganhou o prêmio de melhor musical de 2009. Nova Iorque ainda é aqui!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mazinho


Desde que me mudei para Brasília, sempre cortei o cabelo com o Mazinho. Agora em BH, fica difícil pagar a passagem só para cortar o que me resta de cabelos na cabeça. Verdade seja dita, o Mazinho ajudou o presidente Lula desde o primeiro momento de seu primeiro mandato, não aumentou os R$ 20 do corte de cabelo sequer uma vez nesses poucos anos. Mas essa semana fui obrigado a cortar o cabelo em outro barbeiro, ao lado do meu trabalho, e trair o Mazinho. Já tinha traído uma vez, é verdade, mas estava em Nova Iorque, e não tinha como passar seis meses escabelado e arranhando o inglês sem parecer um terrorista e arriscar ser preso pelo FBI, por isso não contei como traição. Mas agora foi real.
No Mazinho mensalmente colecionei algumas das pérolas que divertem uma mesa de bar por - ao menos - uns quinze minutos garantidos. Mais do que um salão de barbeiro, aquelas duas cadeiras são um portal para um mundo surreal, mitológico, onde as lendas urbanas povoam as conversas entre cabelos cortados e revistas de mulher nua. Nesse universo particular do salão o que importa não é a realidade, mas o que a realidade parece ser. O que é verdade para cada um, isso é o que importa, acho que foi um filósofo quem disse isso...ou será que foi a Madonna? Neste ambiente com revistas de carros e mulheres nuas aperfeiçoadas pelo Photoshop, trajados com um babador branco como se fossemos juízes da suprema corte de um mundo sem censura, cada um dá sua opinião, e todas são levadas a sério. Não é a notícia, ou a verdade, mas o que a notícia poderia ter sido, ou a interpretação particular de cada um sobre ela. Não é a lenda, mas a lenda recontada e aumentada. Foi nas cadeiras do Mazinho, sendo atendido pelo Jorge (que foi demitido porque sua popularidade aumentava a cada dia, mesmo que o Mazinho se refira a ele como "aquele rapaz" depois de trabalharem juntos por seis anos) que vimos no telejornal a notícia de que na ditadura do Haiti 70mil mulheres haviam sido violentadas. E ali mesmo o Mazinho fez o sábio comentário de que "reclamavam tanto do Saddam Hussein, mas agora que ele saiu, era pior sem ele". Ali também ouvi a história do menino que respirou um mosquito, mas que o mosquito não morreu e picou todo o pulmão dele. O menino entrou em coma, e o Mazinho jura que cortava o cabelo dele no hospital todo mês. Jorge viu chover peixe no sítio do pai dele, e um senhor de uns 80 anos jurava que tinha 124, e contava bem sério como foi a virada do século dezenove para o vinte. O jorge colheu uma abóbora de 30 quilos no sítio, e o Mazinho já tinha visto uma onça "toda listada" numa pescaria. Ali reclamamos do Maluf, do Roriz, criticamos a oposição, mesmo que ninguém soubesse direito quem era a oposição. Escolhemos candidatos e demos vereditos sobre quem era culpado de quê. Um dia vou voltar para Brasília e cortar o cabelo com o Mazinho outra vez, mas vai ter que ser logo, porque meu cabelo tá indo embora.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rir é o melhor remédio

Depois de rir sem querer do Caetano Veloso caindo do palco, fiquei pensativo sobre os motivos pelos quais eu ri. No livro "A maravilhosa obra do acaso" - uma coletânea de cientistas geniais falando sobre coisa alguma - organizado por Win Kayser (ou será no "Auto-engano" do Eduardo Gianetti?) descobri que rir é uma espécie de erro evolutivo, uma coisa que fazemos sem uma explicação lógica, mas com muitos reflexos eletroquímicos no cérebro. Quando uma pessoa cai, por exemplo, existe o que os psico-bio-socio-sei-lá-o-que chamam de incongruência. O cérebro acha engraçado que a pessoa esteja saindo da posição normal e se estatelando no chão. Não entende o motivo e como não consegue processar entra em crise e ri...meio estúpido, não parece? Isto tudo tem que se encaixar em um contexto, ou seja, se você vê uma pessoa perder o equilíbrio e cair do décimo andar, não vai achar graça porque seu cérebro imediatamente vai entender que a pessoa vai morrer. Isso os psiquiatras chamam de jogo da situação o que explica em parte porque rimos de umas coisas e de outras não.
Tirando o cachorro do Roberto Carlos (que lhe sorriu latindo no portão quando ele voltou...), nenhum outro animal ri. Os macacos bem que tentam, mas não passa de macaquice mesmo. São movimentos voluntários e sons, nada de riso induzido pelo cérebrinho de macaco. Não é considerado riso pelos gelontologistas (especialista em riso). Foram estes caras que prepararam a definição dos movimentos do riso na Enciclopédia Britânica, acredite:

Quinze músculos faciais se contraem e o estímulo do músculo zigomático maior (principal mecanismo que levanta o lábio superior) acontece. Enquanto isso, o sistema respiratório é interrompido pela epiglote que semi-fecha a laringe, de modo que a entrada de ar ocorre de forma irregular, fazendo você ofegar. Em circunstâncias extremas, os dutos lacrimais são ativados, então, enquanto a boca está abrindo e fechando e a luta pela entrada do oxigênio continua, o rosto fica úmido e geralmente vermelho (ou roxo).

Depois que li, tive a sensação que podia morrer de rir, literalmente, a qualquer instante numa das muitas rodadas de chope dos finais de semana em Brasília, e finalmente entendi porque a gente faz *ai, ai* depois que ri: é uma espécie de "graças a Deus, dessa risada eu escapei". Mas se você pensa que acabou...tsc tsc, ainda tem mais. Estudos indicam que todo o cérebro se envolve nas risadas, eletroencefalogramas mostram que a corrente elétrica passa por praticamente todo o cérebro para rir de uma piada, o que me leva a concluir que pessoas com cérebro pequeno devem rir mais rápido. Certo e aceito por todos é que esse defeito cerebral foi responsável por conseguimos estabelecer conexões com outros seres humanos sociais por natureza, manifestando nossa alegria de estar com eles. Isto pode ter sido decisivo na evolução da espécie, quando estávamos construindo nossas alianças e tentando pegar as fêmeas dos outros, rindo peludos (e pelados) por trás de uma moita pré-histórica. Foi assim que nos tornamos grupos e escolhemos líderes, e até hoje quando o chefe ri, todo mundo ri junto, uma espécie de convulsão coletiva, herança de nossos tempos de "quem não rir toma paulada na cabeça", quando ainda andávamos meio encurvados. Para terminar, já está comprovado que rir traz equilíbrio aos componentes do sistema imunológico, em teoria, quanto mais você ri, menos doente você fica, daí eu não entender porque eu estou sempre resfriado se eu dou tanta risada.
Em resumo, depois de muito procurar, consegui entender porque ri sem querer do Caetano, e me perdoei, afinal, basicamente foi um problema de evolução.

PS. A foto é de uma propaganda de seguro

domingo, 17 de maio de 2009

E Caetano caiu

Ontem fui no show do novo disco do Caetano Veloso, Zii e Zei com as pessoas de sempre: Rona do Blog (http://ronaldomota.blogspot.com/), Bê, Rafael, Lu. O show foi bem interessante, apesar de algumas passagens psicodélicas, com letras para lá de poeticamente licenciadas, e um peso legal de bateria e guitarra. Um samba rock pesado que me agradou em várias músicas, ainda que tenha outras que parecem feitas de sacanagem para a gente não saber o que dizer sobre elas. Caetano chamou seu novo ritmo de transamba, e a banda de transrock, seja lá o que isto queira dizer. Se você quiser entender, vá até o blog dele, http://www.umw.com.br/artistas/caetano_veloso/zii_e_zie/, em entrevistas muito decontraídas ele explica tudinho, de uma forma que eu continuo não entendendo. No show quase não tocou músicas consagradas, com exceção de umas três. Depois fez um bis de 4 músicas, sendo a última "Força estranha", de Roberto Carlos, inclusive declarando que era uma homenagem para o Rei. Mas, me desculpem os fãs, uma força estranha entrou em cena bem nessa hora. Caetano estava cantando ...por isso uma força estranha...regendo um coral de espectadores (toda a platéia cantando sussurrando para não atrapalhar o clima, menos eu, que não gosto de cantar em show) quando deu um passo a mais do que o tamanho do palco e, lá foi.
Caetano caiu!

Foi trágido e engraçado ao mesmo tempo (sorry) porque quando ele bateu no chão deu prá ouvir o KABONG TOÍN! da guitarra, e juro que me lembrei do El Kabong, personagem alterego do Pepe Legal que dava com o violão na cabeça das pessoas e fazia o mesmo som. Foi um susto geral, os músicos desceram correndo e os roadies também. Todo mundo consternado e aquele Óh! geral, uma preocupação coletiva de alguns instantes. Mas Caetano levantou, fez questão de reger o coral da platéia por mais uns dez segundos e saiu escoltado por um monte de gente da produção. O blog da Globo na mesma noite já contava o caso e dizia que ele estava bem, com dores em algumas partes do corpo, mas bem. Depois do susto, a gente tentava não achar engraçado, você sabe como é, quando alguém cai a gente sempre acha graça. Minha vó tinha os pés pequenos para seu peso e altura e vivia caindo, e minha mãe e minhas tias rindo dela e ela xingando deitada no chão. Espero que Caetano esteja bem, foi um susto de verdade que a gente levou, espero também que nossas risadas involuntárias não sejam mal interpretadas. Ficamos muito preocupados, afinal, ele caiu de braços abertos que nem o Cristo Redendor, sem chance de se defender do chão. Tomara que não levem ele para nehuma Emergência daqui, vai levar quatro horas para ser atendido e ainda corre o risco de pegar uma infecção hospitalar. O Hospital de Base é aqui.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os pijamas de Juscelino

Minha amiga Lu, uma gauchinha morena muito gente boa (acalmem-se, ela é casada com meu amigão Rafael) nos lembrou outro dia de um detalhe importante. Para perceber o detalhe entenda que quem mora em Brasília costuma receber muitas visitas de parentes e amigos que vêm de outros lugares para conhecer a Capital Federal. O menu básico de passeios inclui uma entradinha na Catedral e, dependendo da idade, uma olhadinha nas flores artificiais que um camelô vende ali ao lado. Na sequência, uma caminhada na Esplandada dos Ministérios, arrematada pela famosa consideração (depois de caminhar dois quilômetros no sol da seca e torrar as orelhas), "nossa, pensei que era mais perto". A Praça dos Três Poderes, ainda acompanhada pela "mas como é grande! Na TV parece tão pequenininho". Uma esticada até o Palácio da Alvorada, uma foto clássica com o Dragão da Independência cuja paciência deve fazer parte do DNA, algumas piadinhas, uma moeda para as Carpas da República e...voilá! O Memorial JK lá do outro lado do eixo (esqueci dos comentários desabonadores sobre o Museu da República na passagem pelo Eixo, afinal, ir em Brasília sem entender de arquitetura e não criticar o Niemeyer é como não ter ido...).
No Memorial JK está sepultado o corpo do Presidente Juscelino. Ali estão também muitas peças de sua vida: livros, mobília, documentos, fotos, roupas de festa...e o pijama. O pijama de Juscelino era super alinhado, casaco com botões, a parte de cima e de baixo combinando, sem furos ou bolinhas, de seda e bem passado.
É agora que a Lu volta para esta história. Imagine você, que - de repente - você fique famoso. E pior, alguém resolva fazer um memorial em sua homenagem, esse alguém vai querer expor seu pijama. Essa é a atual preocupação dela, a situação dos pijamas. Pense! O meu ia ser uma tragédia. Uma calça de abrigo cinza e velha e com um furo (na verdade é um descosturado, o que soma pontos na escala de relaxamento com suas roupas). No verão ainda estou bem, uma calça leve e xadrex com elástico, mas tenho um listrado de verde escuro e claro que ia ser lamentável para minha imagem pessoal, estreito nos tornozelos, deve ser dos anos 80. Acho que vou doar ele amanhã. Tem gente que dorme só de cuecas, o que poderia ser pior, um furo na calça de abrigo pode ser melhor do que uma cueca "freada" exposta e iluminada com 500 watts de potência ao lado de sua Cruz de Malta ou seu diploma de benemérito da Cruz Vermelha. Resta ainda aquelas camisetas de brinde de final de ano de empresa, com desenhos estúpidos e desbotados, o tipo de camiseta que você tem que chavear no armário durante o dia, senão ela se arrasta sozinha para a cama e que praticamente faz parte de você, com aquela roda amarela perpétua embaixo do braço como uma alga fosforescente no escuro do quarto. Para as mulheres não deve ser melhor. Camisolas com renda soltando, alcinhas amarradas com nó cego, pijaminha cheio de bolinhas, sem falar naqueles conjuntinhos obscenos do tipo "quero neto" que as sogras dão de presente e que iam fazer o seu memorial ser proibido para menores de 18 anos. Hoje quando você for dormir, pense nisso, e amanhã corra até a Renner e compre um pijama decente. Nunca se sabe quem vai visitar seu memorial amanhã.


As informações desse post são fictícias, mas qualquer semelhança com a realidade é mera realidade. Libere seus traumas e conte nos comentários sobre seu pijama preferido.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Six degrees ou seis graus de separação

Quando eu e meu irmão abrimos uma locadora, mais ele do que eu, em pouco tempo tínhamos mais de 2000 clientes. A locadora se chamava Yellow Video e pegou o final do boom de videolocadoras dos anos 80. No final, chegou a ter mais de 5000 clientes, mas eu já morava em Manaus nessa época e não tive participação ativa. O que mais nos chamou atenção nesse período foram duas coisas: primeiro, as pessoas costumam mudar de endereço. Segundo, as pessoas morrem. Se você parar para pensar - e tomar umas cervejas - vai entender melhor o que eu digo. Morrer é uma coisa que teoricamente é natural, mas considerando que a psicologia afirma que levamos cerca de 30 anos para ter consciência disso, é um grande assunto. Se você considerar quantas pessoas conhece em toda sua vida, provavelmente não vai passar de 400, experimente. Coloque na sua lista todas aquelas das quais você se lembra do nome, pelo menos, porque se você nem do nome lembrar, vamos combinar que essa pessoa foi um rio que passou na sua vida. Agora, continuando nesse exercício, imagine que de uma hora para outra você passou a conhecer mais de duas mil pessoas. A probabilidade de que aconteça alguma coisa com elas quintuplicou, daí, aumentando nossa amostra, percebemos que as pessoas morrem ou se mudam (ou se mudam e morrem). Para tudo isso existe uma teoria.

Ela se chama Teoria dos Seis graus de Separação, ou six-degrees, se você for uma pessoa moderna e usar a língua dos outros mais do que a sua. Muito popular nos anos sessenta, declara que duas pessoas estão separadas uma da outra somente por outras cinco pessoas. Em termos práticos isso significa que se você quer jantar com Michelle Obama, basta encontrar as cinco pessoas que a separam dela. Nos anos sessenta, muito LSD e outras coisinhas mais, a teoria era uma verdadeira febre, que deve ter embalado os sonhos lisérgicos de uma geração de hippies. Os habitantes dos sixtees não sabiam, mas estavam descobrindo as Redes Sociais.

Redes Sociais são mecanismos aleatórios que funcionam por similaridade. Hein? Simples, pessoas com interesses similares se juntam em espaços virtuais ou reais para compartilhar ou somente sentirem-se pertencentes a alguma coisa. Com base nisto, por exemplo, o turco Orkut Buyukkokten criou o site de relacionamentos Orkut (adivinhou, né?). Foram também as Redes Sociais que alteraram em 24 horas o resultado da eleição para presidente na Espanha, fenômeno que também está relacionado com a teoria dos sistemas não-lineares onde um sistema está em paz até que um evento qualquer, em qualquer parte, altere uma de suas características gerando uma nova ordem. Depois disso temos uma enchurrada de exemplos, o Twitter (onde você diz o que está fazendo agora para o mundo saber) o Facebook, Windows Live e tantas outras. Uma verdade absoluta que aprendi na escola (além de que o plural de lápis é lápis) é que os seres humanos são criaturas sociais. Uau!

O fato é que é um exercício divertido. Experimente encontrar as cinco pessoas que fizeram você chegar onde está em seu emprego, ou as cinco que a ajudaram a encontrar o amor da sua vida, ou as cinco que fizeram você me conhecer. E na próxima vez que você desejar conhecer alguém que acha que jamais conhecerá, pense que talvez você não tenha passado pelos cinco graus necessários. Redes Sociais, socialize-se, essa é a nova onda.Quem sabe você não é um grau importante para mim?

terça-feira, 28 de abril de 2009

SOBRE A DUCHA HIGIÊNICA

Ok. Você tem idéia de quanta água sai de uma ducha higiênica? Eu nunca parei para pensar nisso, mas seria uma boa conversa de bar. Aquela água é gelada e forte, e ainda deve escorrer por cima da mão que segura a ducha. Não, não é isso que você pensou. Saí de casa na sexta pela manhã para trabalhar, à noite fui para Brasília, voltei segunda direto no trabalho outra vez. Voltei para casa à noite.
A menina que mora no apartamento 301 saiu de casa na quinta e foi visitar a família numa das centenas de cidadezinhas do interior de Minas, voltou segunda direto no trabalho e depois foi para casa somente à noite. Ela tem medo de baratas.
Quando eu cheguei na portaria o Vaninho, zelador, me atacou:
- Marcelo, deu um vazamento no apartamento 301 e pode ter um problema no seu.
Em linguagem de desastres, PODE significa HOUVE, e UM significa vários. Junte isto com a palavra vazamento e na sua cabeça tudo vai se transformar em uma pequena tragédia urbana. Depois que a moça do 301 saiu na quinta para visitar a família, a mangueira da ducha higiênica do banheiro dela estourou e a água fez jogging até segunda, correndo feliz pelo apartamento afora. Meu apartamento, afastado 100 unidades do dela, mas somente 8 centímetros de laje abaixo, carinhosamente recebeu toda a água excedente que o piso e os móveis do apartamento de cima não conseguiram segurar, praticamente uma ONU acolhendo toda aquela água refugiada.
O piso minou, a água escorreu pelas paredes, infiltrou por debaixo da tinta acrílica, fez bolhas, estourou o reboco. Continuou nessa festança e correu por dentro dos armários, deixando toda minha roupa molhada e suja com um pó branco, daqueles de massa corrida lixada. Sempre disse para os meus alunos na arquitetura que não se arriscassem com a água. Uma fêmea voluntariosa que se mete por onde quer, e sai por onde bem entende, não respeita limites e insiste até conseguir o que quer, que como a física nos ensina, é chegar ao centro da terra, impulsionada pela tal Lei da Gravidade.
O resultado foi este: colchão encharcado, lençóis, toda a roupa, documentos, TV, CD, sapatos. água dentro da geladeira e fogão, cortinas, sofá, travesseiros. Tudo o que podia ser molhado, foi. Salvei três cuecas e três pares de meia que estava trazendo de Brasília, e uma camisa social que estava dentro de um saco plástico vindo da lavanderia. Apartamento destruído, com reboco escorrendo como um bolo de glacê, piso detonado. No final acabei aqui, neste hotel executivo, escrevendo um post de cueca e camiseta, (não pense em nada sexy, pode apostar, meus pijamas estão molhados), meu apartamento sendo reformado por um pintor que está raspando as paredes, para depois passar massa corrida e pintar, entrar o cara que coloca o piso e trocar o laminado de madeira empenado. Depois vem a cama nova e as duas televisões, tudo pago pela menina do 301 que tem medo de baratas, e tampa os ralos com panos antes de viajar.
Não basta morar longe da pessoa que a gente ama, numa cidade desconhecida, longe dos amigos, sem carro e com um trabalho novo; tem que ter aventura. O dilúvio é aqui!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Brasília, 49 anos



"De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que dá às nossas perguntas."
Marco Pólo, por Ítalo Calvino in As cidades invisíveis, 1972

Brasília, 1956 - Eixo Monumental

Brasília, 2009 - Eixo Monumental

Em Brasília, tem-se a sensação de que a cidade está no fundo do mar. Quando se olha para cima se vê um céu de ensurdecedor azul profundo, pincelado por nuvens crocantes de um branco ofuscante. É uma cidade que tem linhas do horizonte. Tênues calmas aconchegantes femininas reconfortantes linhas do horizonte. Numa distância não maior do que trinta quadras, vislumbra-se a geodésica, como uma espinha dorsal, a se curvar contra o azul abobadado. Em seus largos espaços vazios, permeados por cheios planejados, floresce o espaço necessário ao pensamento. Como no amor, as idéias não florescem nos lugares oprimidos. Espalhada com suas asas estendidas, é a idéia que decola, e por isso alça vôo teimosamente na solidão do exercício singular, tal qual seus gramados que morrem e ressuscitam a cada nova estação de chuvas, reafirma-se como as esperanças de um sonho possível.
Brasília bem que poderia ser uma das cidades maravilhosas descritas por Marco Pólo para Kublain Khan se Ítalo Calvino um dia a tivesse conhecido. Como as fantásticas cidades do romance possui um nome de mulher. Tem também os atributos da insurreição da forma, da inovação e da descoberta, do experimento e a leveza — por mais simbólica que seja — de sua brancura sempre jovem.
Nascida de um esforço coletivo e improvável, num país repleto de diferenças regionais entre o litoral e o agreste, corroboradas por uma realidade social díspar, a cidade suplantou as expectativas mais negativas e aconteceu. Brasília consolida-se como o maior esforço de projeto da história da arquitetura contemporânea, baseando-se nos princípios do Racionalismo arquitetônico e recuperando conceitos dispersos do urbanismo espalhados através da história.


Brasília é a tomada de posse de um espaço agreste, é a tomada de posse de um pensamento ufanista, experimento de cidadania, “... Não pretendia competir, e na verdade, não concorro, — apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada mas surgiu, por assim dizer, já pronta (Lúcio Costa) ...”, repleta de singularidade e simbólica, seu símbolo primeiro é a cruz: dois eixos que se cruzam em ângulo reto, alinhavando a estrutura urbana que viria a seguir, traço tão simples e tão corriqueiro, cardus e decamunus maximus do urbanismo romano, risco das fortalezas portuguesas, marca de posse, sinônimo de lugar, adição.
Depois a cidade criou vida própria, teve de suportar militares, oportunistas, playboys e lunáticos, até se reencontrar com os brasileiros outra vez. Conheceu a pobreza, a maior renda per capita do país, uma das maiores do mundo, a desigualdade das cidades satélites. Projetada para 700 mill, tem mais de 2 milhões e meio de habitantes. O sonho cresceu, e por ter sido sonhado para ter autonomia, caminhou sozinho. Mas como todo sonho, entre acertos e erros, Brasília continua me trazendo uma sensação boa. Patrimônio da Humanidade, 21 de abril de 2009, 49 anos.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Tiradentes MG

O Rafael e a Lu vieram com a Aline de Brasília, dormimos no meu apartamento, alugamos um carro e descemos para Tiradentes, 190 km de BH. Lá estava ela, a cidade pequena, histórica e aconchegante, repleta de turistas de diversos estados lindeiros e alguns turistas estrangeiros perdidos entre as maravilhas do Barroco. Emoldurada pela Serra de São José, um maciço belíssimo e muito alto, a cidadezinha colonial se espalha em poucas quadras como patrimônio tombado pelo Iphan em 1938. Tiradentes recebeu este nome logo após a Proclamação da República, em homenagem ao alferes Tiradentes da Inconfidência Mineira (1789), herói brasileiro com o nome inscrito no Livro dos Heróis do Panteão da República (na praça dos Três Poderes, em Brasília, projeto do Niemeyer).
Tiradentes tem algumas das igrejas barrocas peculiares do Brasil (próximo post...). Fundada em 1702, foi o local no país que mais teve ouro de superfície. Isto atraiu muitas pessoas para a região e com as pessoas, numa combinação inseparável, as igrejas. Os prédios religiosos são poucos, mas fogem do luxo ostensivo do Barroco europeu (reinventado no Barroco de Salvador), e escapam do improvisado e espetacular Barroco brasileiro de Ouro Preto. São especiais ao seu modo. Projetadas sob condições precárias, executadas com a mão-de-obra inexperiente da colônia, longe dos vigilantes olhos conservadores da Metrópole, desenvolveram uma leviandade toda sua. A simetria não é tão simétrica, os movimentos dos panos de fachada não são tão dinâmicos, as colunas não são tão ricas, a talha não é tão profusa. Mas é esta rusticidade que dá o encanto e nos transporta no tempo, junto ao casario nas ruas estreitas e o calçamento pé-de-moleque, na escuridão da noite, mal iluminados por lampiões artificiais, vamos convivendo com a atmosfera mágica e rude de um Brasil colônia, um país em formação. Repisando pedras pisadas por nossos ancestrais, refazendo seus caminhos, outras roupas, outras línguas, somos todos parte de uma só construção.
Tiradentes é uma testemunha das dificuldades de viver no passado diante da intolerância e incerteza do mundo natural, da simplicidade e da ignorância, mas especialmente (para mim) da luta árdua de colonizar o desconhecido. De lutar contra o natural, de perseguir a beleza sem concessões, de adaptar-se ao inesperado, de transformar o mundo hostil ao seu redor em um mundo conhecido e suportável. Em Tiradentes sinto-me parte disso tudo. Como se todo o esforço para criar aqui um país tivesse sido recompensado. Talvez não importem os percalços, o Brasil nasceu, tropeçou mas está aqui. Nessas horas, em lugares que foram nossa história, sinto uma sensação gostosa de herdeiro de uma herança de luta, vontade e conquista, que me traz outra sensação, arcar com uma contrapartida de cidadão, parte de uma história que construíram para mim e que tenho de ajudar a construir para quem vier. O passado está em Tiradentes, talvez o futuro também esteja.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Faxineira, fascinante

Nei Lisboa escreveu uma música que diz que as faxineiras são fascinantes. Como podem ser assim, num instante tão perfeitas, noutro instante tão ruins?. Nunca vi pessoalmente minha faxineira (ou devo dizer, como algumas pessoas social-ironicamente dizem, "secretária"?).
Depois que aluguei o apartamento em BH, conversei com o porteiro e ele me indicou uma pessoa que semanalmente faz limpeza aqui em casa. Como nunca nos encontramos, deixo recados para ela em cima da mesa, ao lado dos reais que representam o valor do trabalho (ou o valor que ela atribui ao trabalho, que para mim é um trabalho quase de valor incalculável). Costumo deixar algumas orientações também, do tipo: "favor limpar a panela que está na geladeira", mas com uma vontade louca de acrescentar:"antes que ela comece a caminhar pela casa" ou "antes que ela coma o iogurte". Não escrevo isto, sempre tenho a aristocrática e odiosa sensação de que meu senso de humor está além do entendimento de garçons, porteiros e faxineiras (nem acredito que escrevi isto). Mas ter uma "secretária" que tem suas próprias concepções de decoração talvez seja o carma para um arquiteto como eu sou. Toda semana os enfeites horrorosos que guardei nos armários quando cheguei no apartamento alugado voltam à tona. Retomam seus lugares. Esse prédio foi um apart-hotel antes de ter as unidades vendidas e alugadas aleatóriamente para pessoas de passagem como eu. Assim, a arrumadeira, agora minha faxineira, obviamente sabe qual é o lugar de cada coisa, e como eu troco as coisas de lugar, ela insiste em que a ordem deve permanecer a mesma, ignorando que eu sou o novo dono, ou temporariamente o dono do lugar. Assim, um vaso triangular e hediondo retorna para a mesa da sala toda quarta-feira, meu cavaquinho é enfurnado no armário, um conjunto de baianinhas retorna do além-fundo do armário e toma de assalto o espaço ao lado da TV, onde meu Wii é retirado e substituído por dois pinguins feitos de cabaça (cuia para os gaúchos). Minhas roupas sujas são cuidadosamente dobradas e misturadas com as limpas, ignorando a ordem em que as deixei, se estão fora do armário, é porque estão sujas. Minha lógica arcaica não funciona com ela. Na cozinha é o mesmo. Nojento como sou, separei alguma louça que uso cotidianamente. É incrível como um homem só é capaz de se alimentar relativamente bem com um garfo, uma faca, um copo e um prato raso. Ela insite em devolver ao armário tudo que uso e me obrigar a lavar tudo outa vez antes de usar na próxima refeição. Em compensação, chego em casa com o apartamento limpo, organizado (não à minha maneira, mas, enfim, organizado), com aquele ar de casa nova, o mesmo ar que sentimos depois de um banho e uma roupa confortável, aconchegante e meu. Nesse instante perdôo minha secretária por seus deslizes, até que passe a tarde inteira procurando uma palheta, que estava dentro da gaveta, e a gaveta, dentro do congelador.

sábado, 4 de abril de 2009

NADA VAI NOS SEPARAR


A primeira vez que vi uma TV a cores foi o desenho Alice no País das Maravilhas na casa do meu tio Walter. Em 1975, no fim do ano, compramos uma TV colorida pra assistir a final histórica do campeonato brasileiro entre Internacional e Cruzeiro. Vi Figueroa subir num rasgo de luz filtrada pelo túnel da arquibancada superior e cabeçear para o gol tornando o Inter no primeiro clube gaúcho campeão brasileiro. Depois vi ao vivo muitas outras coisas. Sentado no concreto da Geral e depois da Social, vi Falcão e Escurinho tabelando do grande círculo até a pequena área do Atlético MG para nos tornamos bi-campeões na semana seguinte com um gol de falta de Valdomiro contra o Coríntians. Em 1979 não vi nenhuma derrota e fomos campeões invictos do campeonato brasileiro. Falcão, Dunga, Lúcio, Carpeggiani, Dario Maravilha, U-Fabiano, Sóbis, Claudiomiro, Clemer, que fez uma defesa impossível na final do mundial num chute de Déco, tantos outros. E por aí vai. Quando eu era criança chegava em casa depois dos jogos e tinha que tomar banho, na hora do gol, eu, mirrado e pequeno, era abraçado por todo mundo, e lá ia dez ou quinze metros para longe do meu pai e meu irmão na comemoração, sendo jogado de braço em braço. Não mudou muito depois que cresci, ainda chego em casa com um cheiro de suor e gente, porque comemoro o gol com qualquer um que esteja ao meu lado. Futebol tem dessas coisas, e quando é o Inter então...Na hora do gol são 7, 15, 30 ou 40 mil vozes gritando juntas. Quando o Inter foi campeão da Libertadores, fui uma única voz no quarto de 3 x 3 em Brasília. Depois na varanda. E no campeonato mundial, contra o invencível Barcelona (ou devo dizer vencível?) minha mulher saiu de casa para não ter culpa se a gente perdesse, e gritei sozinho outra vez. Narrei com o Galvão Bueno: Vai Gabiru, vai Gabiru! E ele foi. Chorei muito. Eu tinha uma passagem para Curitiba na segunda-feira, ainda em êxtase corri ao aeroporto para trocar o trecho para Porto Alegre e participar da comemoração, mas estava tão emocionado que errei de companhia aérea. A paixão cega. Não há paixão maior do que a paixão do futebol, um amor estúpido mas orgulhoso, um amor sem distância, um amor para a vida toda. Hoje o Inter faz 100 anos, e não há como dizer como gosto de ser colorado. Como diz o refrão entoado da arquibancada, ecoando pelo caldeirão do Beira-rio, fervendo em vermelho e branco em nossos corações alvirubros, "vamô, vamô colorado, nada vai nos separar!". O Beira-rio é aqui!
Este post é dedicado ao Careca, Rogerio meu mano e Gabriel (três gerações coloradas), ao Schumi e sua família vermelha e branca, Gabriel Gallina, Bregatto (e espero que o Pedro), Luciano (colorado e não sabe), Luke e Pato (colorados da antiga), Vini, Déa e Luiz Antonio (Colorados no Rio), Geral e Gadea (Colorados no comando), e a quem quiser que leia que tenha um coração vermelho e branco. Digam o que quiserem, ser colorado é que é bom.