Depois que o BBB recomeçou, tenho recebido diversas mensagens diárias em meu Facebook de gente falando mal do programa, foram essas mensagens que me fizeram pensar nesse assunto. Fiquei por um tempo imaginando o motivo que leva alguém a criar uma campanha desse tipo, porque, certamente, existem muitas outras coisas que essa mesma pessoa não tolera no seu dia a dia e contra as quais não milita. Se você pensar friamente, quinze minutos de BBB por dia durante 90 dias são pouco mais de 22 horas de programa, ou seja, cinco edições do Domingão do Faustão, ou dois domingos de Gugu Liberato e Silvio Santos, ou dez dias de um programa sensacionalista comandado pelo Ratinho ou Datena, convenhamos, não tão melhores assim que o BBB.
Depois, pensei nas coisas pelas quais milito e estaria disposto a ir às últimas consequências, são poucas: democracia, tolerância e igualdade. Por outro lado, há muitas coisas com as quais não me identifico, mas contra as quais não faço nada. E essa lista, essa sim, é maior. Não tolero música sertaneja, e agora mesmo estou ouvindo uma rádio que não toca esse tipo de música, está tocando Bob Dylan, não preciso dizer mais nada. Só escrevi contra os sertanejos uma vez copiando alguém, "Tomara que o Sertanejo Universitário se forme logo e arrange emprego fora do Brasil". Não gosto de ver televisão, prefiro um livro, nem precisa ser bom, uma hora qualquer de livro é melhor do que qualquer uma hora de programação na TV aberta. Livros são como pessoas, sempre há algo que se pode aproveitar. Não gosto de gente que fura a fila, conversa durante o filme no cinema ou atende o celular falando alto em ambientes públicos, mas não faria uma campanha contra essas pessoas no Facebook.
Também não gosto de fundamentalistas, pessoas que querem me convencer que seu Deus é melhor que o Deus do outro, ou me convencer que o meu Deus é pior do que o Deus do outro, ou mesmo que Deus não existe. Me deixem em paz com meus amigos imaginários! Não gosto de fotos de cachorro abandonado no meu Facebook, nem de "quantas curtidas merece esse campeão" mostrando velhos moribundos, pacientes terminais, crianças estraçalhadas, próteses e coisas assim. Acredito que até no sofrimento devemos respeitar a dignidade humana, e, como diz meu pai, deixar que cada um lamba suas próprias feridas. Mas isso é o que eu penso, você pode pensar diferente. A liberdade individual, apesar de intangível, deve ser preservada, todos sabemos que não é nas semelhanças que evoluímos, mas pelas diferenças que nos tornamos melhores.
O Facebook se transformou num Muro Eletrônico das Lamentações, nas suas fendas virtuais as pessoas depositam, como papéis dobrados eletronicamente, todas as suas crenças, sofrimentos, compartilham seus medos, riem solidariamente, exercitam a intolerância, expõem suas verdades. Inclusive eu. A nova relação entre pessoas inclui agora um espaço cibernético onde tudo é permitido. Uma bricolagem da cultura pop misturada com convicções fervorosas, que atesta que nunca em toda a história da humanidade nos manifestamos tanto publicamente sobre as diversas matérias que compõem a vida humana. E o BBB não está fora dessa, um micro-universo das relações interpessoais reproduzido em tempo real, uma fórmula mágica que vem colhendo resultados há treze anos, um bando de pós-adolescentes trancafiados em uma casa, hormônios efervescentes, tramas, sussurros, amores, desilusão, brigas, liderança, comportamento de grupo. Nada diferente de uma repartição pública ou uma empresa privada, o zoológico humano, afinal.
domingo, 20 de janeiro de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O MUNDO ACABA AGORA E EU ESTAREI DANÇANDO
"O mundo acaba agora e eu estarei dançando"
Pitty
As vezes perco as contas de quantas vezes fui ao Rock In Rio, e por mais estranho que isto possa parecer, as vezes tenho essa mesma sensação em relação ao final do mundo.
Participei, por exemplo, do notório final do mundo no ano 2000. Esse era para ser grandioso, mas ficou enfraquecido depois de alguém fazer a regressão e ver como funcionava a contagem dos anos descobrindo que faltava um século entre o 1a.C. e o 1 d.C. (o que seria o Século Zero). A tensão só aumentou com o novo cálculo porque tivemos um novo fim do mundo em 2001. Mas o mundo não acabou, nem num, nem noutro. Por outro lado o mundo como conhecíamos mudou completamente, já que o Bug do Milênio fez com que os EUA investisse pesado na computação na Ásia, o que desenvolveu as telecomunicações e a informática naquela região, historicamente preparada intelectualmente para desafios matemáticos, mudando a forma de fazer negócios no mundo. Foi este movimento que colocou em prática o modelo de Mundo Plano, a tal globalização de que falamos até hoje.
Também participei de outros finais de mundo menos nobres, mas também divertidos como o 9/9/99 o 8/8/88 e assim por diante, sendo que deixamos passar desapercebida a belíssima possibilidade de fim de mundo no 12/12/12 as 12 hora e 12 minutos, 12 segundos e 12 centésimos, uma sequencia numérica que, se não me falhar a matemática - pois não sou asiático -, só voltará a ocorrer em 01/01/2101.
Agora que comecei a rememorar, lembrei do admirável fim do mundo da passagem do cometa Halley pela Terra (1985-86). Esse sim, cercado de duvidas, lendas e desinformação em um mundo menos conectado e com algum domínio do espaço. Esse fim do mundo em particular foi especialmente acompanhado por muitos trechos das profecias de Nostradamus que, como todas as profecias de Nostradamus, sempre me pareceram que tanto poderiam ser aplicadas ao final dos tempos quanto à lista de compras de supermercado de dona Dirce, ou sobre o diagnóstico da doença do cavalo do seu Pedro, ou uma letra de musica de Zé Ramalho, um poema de Poe escrito em sânscrito.
O que temos de fato é que nem mesmo o calendário que utilizamos para marcar os finais de mundo é real. O tempo, como todos conhecemos, é uma divisão mais ou menos precisa de ciclos naturais como achava Newton, e pode ser nem isso se considerarmos as formulações de Einstein. Nosso calendário é furado, não sabemos se temos 4 ou 4,5 bilhões de anos, e convenhamos que 500 milhões de anos de diferença não é pouca coisa. Os romanos alteraram o calendário duas vezes incluindo meses e reorganizando um ano completo, e nem mesmo o Ano Novo ocorre exatamente na hora estipulada nos anos que não sejam bissextos porque não consideramos o tempo correto de rotação do planeta (para você que não faz ideia, são 365 dias e 6 horas). Com tantas duvidas, fico ansioso pelo próximo fim do mundo, ainda não sei onde ou com quem vou estar, mas uma coisa é certa, quando o mundo acabar eu estarei dançando.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Frustação e o muro da realidade
“Os acessos de fúria são causados por uma convicção quase cômica de que determinada frustração não consta no contrato da vida. Gritamos quando não conseguimos algo que desejávamos porque em nosso mundo perfeito e particular algo indesejado por nós simplesmente não pode ocorrer."
A frustração é um choque entre nossos desejos e a realidade imutável. É como um muro rígido que aparece em nosso caminho e que julgamos, sob a ótica do momento, intransponível. Essa reação cômica (se analisada friamente) começa na infância, quando percebemos que as fontes de nossa satisfação estão além do nosso controle, e que o mundo não se ajusta aos nossos desejos de forma confiável. São inúmeros momentos na infância em que somos confrontados com nossa impotência diante dos fatos, e como estamos ainda nos adaptando ao modo de viver de todo o resto da humanidade, fica difícil entender onde está a lógica, ou onde foi que o mundo nos traiu.
De acordo com o filósofo Sêneca, a sabedoria plena é atingida quando “aprendemos a não agravar a inflexibilidade do mundo com nossas reações, nossos ataques de raiva, autopiedade, ansiedade, amargura, hipocrisia e paranóia”. Não parece fácil. Nossos instintos foram desenhados para agredir ao ser agredido, e uma ação contrária aos nossos desejos desencadeia um torrente de frustração, transformada nos ataques de raiva, autopiedade, ansiedade, amargura, hipocrisia e paranóia de Sêneca.
A função do autoconhecimento é nos preparar para que nossos desejos batam com a maior suavidade possível contra o muro inflexível da realidade, ou que ao chocarem-se contra este muro, saibam contorná-lo até o resultado esperado, sem traumas. Isso requer treino, mas acima de tudo vontade. A mudança ocorre primeiro e unicamente em nós, depois o mundo real vai lentamente e cada vez com maior freqüência, se adaptar (ou ser adaptado) aos nossos desígnios.
Quando não conseguimos encontrar alguma coisa, batemos portas, destruímos plantas, jogamos objetos na parede e esbravejamos. Mas o muro da realidade continua ali. Com um pouco de calma e algumas vezes uma boa dose de paciência e autoeducação constante, somos capazes de encontrar nossas chaves, desamarrar um nó, afrouxar um parafuso, abrir uma porta, estacionar um carro, conquistar um coração.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Seleção natural e a vaga de estacionamento
A seleção natural acabou. Com o advento da medicina, o processo de seleção natural da espécie humana teve um abrupto final. Não escolhemos mais nossos parceiros entre os sobreviventes, os mais fortes, mas entre todo e qualquer um da raça humana. Não só os fortes sobrevivem, mas todos. Durante milhares de anos, nossas escolhas foram condicionadas ao universo restrito dos vencedores na luta cotidiana da sobrevivência. Dotados de observação acima do normal para qualquer espécie, desenvolvemos um cérebro capaz de criar cognições em diferentes cenários. talvez este seja um dos principais problemas que nos afetam como espécie: por uma questão de sobrevivência, nosso cérebro se desenvolveu em um período onde era necessário resposta imediata contra qualquer ameaça. Mas o mundo mudou.
Hoje temos tempo para pensar e dar respostas adequadas e adaptadas em um novo contexto muito menos agressivo. Ninguém morre devido a uma reação errônea, exceto em uma circunstancia anormal de violência, que, convenhamos, não deve s usada como parâmetro de comportamento em nenhuma avaliação racional. Num mundo hostil e agressivo, uma descarga de adrenalina quando confrontados com um risco iminente não era só necessária, mas vital. A agressividade oriunda dessa resposta química de um cérebro adolescente representou para nossos ancestrais a possibilidade de manter sobre a Terra seus descendentes. Mas hoje em dia, quando somos confrontados em uma reunião de trabalho ou no transito, nosso cérebro primitivo ainda entrega as mesmas respostas químicas que entregava ha milhares de anos atrás. Nosso coração dispara, o campo visual diminui, aumenta a oxigenação, e uma reação agressiva aflora, num contexto totalmente diferente das savanas africanas onde viveram os humanos primordiais.
É obvio que ninguém precisa de uma descarga de adrenalina porque seu colega de trabalho apontou alguns problemas no projeto que você está apresentando. Mas ela vem mesmo assim. Apesar de nossa evolução em termos de relações sociais e relações com a natureza, ainda temos a química do desespero e da insegurança a pulsar em nossas veias. A má noticia é que, com a estagnação da seleção natural, nosso cérebro deve permanecer irracional. Sei que você esta pensando que isso não é verdade, mas já reparou no desespero que toma conta das ruas quando uma tempestade de verão se aproxima? Todos sabemos que trata-se de um evento natural de condensação de água em estado gasoso, que tornara a ser liquida e, pelo peso, vai cair. Água não tem cheiro, não mancha, não tem gosto (acho que aprendi isso na escola), mas mesmo assim nosso cérebro primata nos coloca em desespero. Você já deve ter passado pela experiência de fazer compras em um supermercado quando estava com fome. Nesse momento somos totalmente animais, deixamos a racionalidade de lado e colocamos no carrinho tudo que seja possível, mesmo com uma pequena aura racional insistindo que isso esta acontecendo por causa da fome momentânea. Não adianta, seu cérebro de pós macaco quer comer, é a hora de caçar, quanto mais, melhor. Sem falar no mau humor que nos acomete quando estamos com fome, e, acredite, sou especialista nisso. A mensagem que seu cérebro envia ao corpo subnutrido é "vai lá, derruba, mata e come...ataca!". Em nosso período de formação como espécie, durante o processo evolutivo interrompido, era impossível ser racional e ter fome ao mesmo tempo. Maslow provou que a segurança vem após a sobrevivência em sua famosa pirâmide. Coisas de seu cérebro de macaco.
Se em um futuro completamente distante seremos capazes de domar as descargas de adrenalina e as reações infantis de nosso cérebro estagnado, isso será a melhor possibilidade de sobrevivência da raça humana. No entanto, a perder nossa agressividade e competitividade naturais do cérebro primata, provavelmente perderemos as demais alegrias que esse defeito natural nos causa. A sensação da vitória, a conquista, o prazer. É possível que um processo de seleção baseado em condições econômicas e não mais em condições naturais esteja em andamento, mas como todo ser participante de um processo histórico, temos muita dificuldade em enxergar isto. Talvez em um futuro qualquer, daqui a milhões de anos, nosso cérebro tenha finalmente encontrado o caminho da tolerância, do amor fraternal, do entendimento racional, do debate socrático. Ate lá, quando alguém roubar sua vaga no estacionamento do supermercado, desça da sua arvore e quebre a cara dele. Afinal, seu cérebro gosta das coisas como se fazia antigamente.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Musicais
Assisti Nine agora, deve ser pela décima vez. É impressionante o efeito que os musicais têm sobre mim, principalmente naqueles com mulheres sensuais, sempre gostei. Se você tem mais de 40 anos deve lembrar de Jesus Cristo Superstar, um clássico dos anos 70, Se tem menos de 40, deve assistir. A Paixão de Cristo cantada na onda hippie. Depois tem outras maravilhas como Hair, com uma história surpreendente sobre dois caras muito diferentes que tem que encarar a convocação para a guerra do Vietnam em Nova Iorque.
Numa batida totalmente louca, mas absurdamente divertida, vem The Rocky Horror Picture Show. Uma história de horror mega-bizarra comandada por um inesquecível travesti chamado Dr Frank-N-Furter, vindo da galáxia Transsexual. O filme se transformou num cult mundial e em Porto Alegre (como no mundo todo!) nos anos 80 íamos para a sessão da meia-noite no Bristol para fazer as perguntas antes dos personagens e ouvir a resposta vinda da tela; cantar bem alto as músicas principais; gritar desesperadamente "Não! Não! Não!" quando Jane e o namorado dela resolviam pedir ajuda no castelo. Atirar pipoca (na Inglaterra eles atiravam arroz) durante o casamento, ou iluminar tudo com lanternas, além de abrir seu guarda-chuva (na Inglaterra cobriam a cabeça com jornal) eram coisas que matavam a gente de rir, gastando só uma entrada de cinema.
Depois Hollywood praticamente abandonou o estilo e passou pela fase tecnológica alavancada por Guerra nas Estrelas, Blade Runner três anos mais tarde e o que se chama popularmente de Néon Realismo. Quando os musicais voltaram, vieram com tudo. Chicago, com Catherine Zeta-Jones espetacular como Velda, e O Fantasma da Ópera, sobre o qual nem vou falar pra não ser repetitivo. Moulin Rouge e a montagem de letras de música popular contando uma história mágica de Satine, a prostituta deslumbrante no corpo de Nicole Kidman. Para mim, a versão de Roxanne (Sting) em ritmo de tango é uma obra prima. Recentemente Across the Universe com músicas dos Beatles, muito bem feito e envolvente, além de Mama Mia que não consigo gostar depois de ver o musical original, e, finalmente, Nine, motivo pelo qual comecei a escrever hoje.
Nem sei porque escrevi essa postagem. Durante muito tempo fui envolvido pelo cinema e agora tive vontade de conversar sobre isso. Acho que ando com saudade de bares, jantares, conversas com amigos. Nine me deixou melancólico, talvez seja o próprio roteiro, a sensação de que por mais que se tenha, tudo nunca é o suficiente até descobrirmos o que realmente importa. Profundo? Não, só falta do que fazer.
domingo, 4 de setembro de 2011
Comer, comer
A primeira vez que comi estrogonofe, não comi. Na época se escrevia strogonoff e eu devia ter uns 10 anos. Me deparei com ele pela primeira vez em Novo Hamburgo, na casa de um médico que corria rally com meu pai. Era a maior casa que eu já tinha visto, com intercomunicadores nas salas, desníveis e um quarto somente para brincar. Tive pesadelos por semanas com um Cristo que sangrava rubis e uma santa de madeira em tamanho natural. As crianças foram levadas para a cozinha, e lá nos serviram estrogonofe. Foi um impacto impressionante. Imediatamente pensei em vômito de cachorro, um assunto que eu tinha experiência de muitos cachorros. E tinha também cogumelos, que minha mãe sempre dizia que eram venenosos e não podiam ser tocados nem comidos. Lá estava eu, diante de um prato de vômito de cachorro com cogumelos venenosos.
Mas não foi aí que começou meu tormento com a comida, sempre tive problemas para comer. Aos sete anos aprendi na escola de onde vinha o ovo de galinha, e só voltei a comer ovos quando fui morar sozinho, por pura necessidade. Parei de comer macarrão com carne porque num dia que tinha essa comida lá em casa minha mãe matou um rato. Levei anos para comer lagarto (que no sul se chama “tatu”), até descobrir que era uma simples alusão ao formato. Nunca comi fígado, rins, moela ou mesmo coração de galinha em churrasco. Quando sushi não era moda, nem sequer conseguia pensar em comer peixe, que dirá cru. Camarão era nojento demais, porque estudei em biologia que tem merda na cabeça. Mexilhões, ostras, mariscos para mim são como secreção nasal, nojentos, gosmentos e escorregadios. Peças que minha imaginação fértil sempre me pregou à mesa.
Não como pato, salmão nem codorna. Nunca havia comido carneiro, até ir para Dubai e ser obrigado por legítima falta de opção. A primeira vez que fui para Paris levei uma lista de coisas nojentas que não podia ter no cardápio: foie gras, cheval, scargot. Comer não é divertido para mim, é uma perda de tempo, chato, antiecológico. Por mais que isso pareça estranho, gosto mesmo de comidas pré-processadas: hambúrgueres congelados da Sadia, batata frita e sanduíches em geral. Meu cardápio tem tão pouca salada que em 1998 quando li “Os sete hábitos das pessoas de sucesso” do Steven Covey, coloquei na minha missão pessoal no item número 8: "Devo comer mais salada".
Algumas vezes sinto inveja de quem come de tudo e tem muita fome o tempo todo. Deve ser divertido planejar ir a um restaurante e ficar com água na boca, ou ficar feliz porque o restaurante é de buffet livre. Mas, honestamente,por enquanto vou continuar com minha dieta infantil, ser magro não vai me fazer mal.
Comida não é comigo!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Os verbos do meu cotidiano
Depois de perder o sono no domingo, comecei a pensar nos verbos que uso todo dia (deixei os verbos escatológicos fora da lista).
Ouvir. Acordar abrir respirar descobrir sentar levantar despir lavar secar vestir aquecer colocar mexer cortar morder mastigar beber engolir comer escovar amarrar chavear chamar entrar apertar descer puxar girar dirigir olhar estacionar subir cumprimentar ligar teclar clicar assinar planejar conversar atender ouvir falar estressar acalmar negociar almoçar.
Parei com os verbos na hora do almoço e tenho certeza que esqueci muitos ainda. Achei chato, que devia conjugar verbos mais carnais e menos de ação. Mais amar, mais beijar, mais querer. Rir, carinhar, abraçar.
Conjuguei desistir, dormir e repensar.
Terminei.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Qual é o seu signo?
- Qual é o seu signo?
Acredite ou não, esta é a frase mais perguntada nos bares norteamericanos. Segundo o estudo, é uma maneira rápida de estabelecer uma relação interpessoal e identificar similaridades. Considerando que existe um signo ideal para cada outro, as chances de haver alguma relação entre os dois signos é de 01 para 11. Além disso, ainda existe a chance de duas pessoas terem o mesmo signo, o que aumenta as probavilidades em 01 para 10. Convenhamos, uma chance em dez é um excelente argumento para se tentar transar com alguém.
Bem, em tese. Este ano tudo isso mudou. Um cara chamado Parke Kunkle resolveu ir a fundo na astrologia. Já que os mapas astrais em uso tem mais de 3000 anos, ele recalculou! Kunkle descobriu que devido ao movimento do eixo da Terra e à expansão do Universo, os signos estão sendo calculados da maneira errada. É o que se poderia chamar de Kunkle Ovo, só que a Surpresa é que você não é mais do signo que você acha que é.
Não consigo entender como isso aconteceu, o horóscopo já era para ter sido varrido da crença humana desde os anos 50 quando o sistema foi alterado, e Plutão passou a constar nos cálculos astrológicos. Depois os cientistas rebaixaram Plutão a um asteróide, depois um planeta anão, agora estão cogitando sua volta à condição de planeta outra vez. Como assim? Como explicar que um monte de cientistas não consegue dizer se Plutão é um planeta ou uma pedra? Agora pense bem, uma pedra gigante flutuando no espaço (não me pergunte como...), a bilhões de quilômetros pode influenciar meus relacionamentos? Pior, se não bastasse Plutão e sua crise de identidade, agora surgiu uma nova constelação que entra no rol das constelações usadas para desenhar o Mapa Astral: Serpentário.
Tudo culpa do Kunkle...
Se o pessoal de Escorpião se achava o máximo, agora vamos ter os Serpentários. Foi o signo de Escorpião que sofreu o maior baque de todos, rebaixado a meros 9 dias do ano, em tese, 66% dos escorpianos agora são outra coisa. Nada bom para quem se acha o crème de la crème do horóscopo.
Fiquei pensando em como dar esta notícia para pessoas que procuraram seus parceiros baseados na astrologia, seria um diálogo como “...desculpe, tenho uma péssima notícia, sua alma gêmea que era de Áries, agora é de Peixes, lamento, mas Áries é seu inferno astral. Acho que vocês vão ter que se separar...”. Ou pior, o cara tatuou o signo nas costas, teria que fazer outra tatoo: PS. meu signo atual é Capricórnio. Desde sempre nós humanos tivemos essa mania de criar amigos imaginários que possam ser responsáveis por nossas atitudes. Extraterrestres, planetas, deuses, mitos. É mais fácil ser mal humorado de manhã porque seu signo é Gêmeos ou ser sistemático e chato porque é virginiano. Difícil é se consertar. Ser menos teimoso, quando se é taurino, mais rebelde quando se é de Libra.
Algumas vezes vendo essas coisas me lembro de Carl Seagan, complementado por Jorge Luis Borges, parece que vivemos em um mundo assombrado por demônios, todos imaginários. Cada dia os cientistas descobrem mais astros flutuando no Éter, e mais provas sobre nossa existência efêmera e vulgar. Somos tentados a ignorar os fatos e nos atemos ao irracional. No fundo acho que somente quando o gen do medo for isolado e puder ser destruído, vamos viver mais e melhor, livres de assombrações e amigos imaginários que ditam persitentes nosso destino.
Até lá, eu não sou mais de Gêmeos!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Ensaio sobre para onde vai a paciência quando ficamos mais velhos
Depois de certo tempo, acho que a gente cansa de algumas coisas. Parece que o mundo andou em uma direção, levando junto com ele todas as pessoas do planeta: as novas, as velhas, as recém nascidas. Todo mundo mudou, mas alguns continuam vivendo num mundo passado, um lugar que não existe mais, com hábitos e convicções que todos sabem que não dão, nem vão dar certo. Quando encontro com uma pessoa dessas, tenho a sensação de déjà vu, parce que sei o que ela vai dizer, ou como ela vive a vida, sem nem mesmo precisar aprofundar um relacionamento social.
Pode até parecer preconceito ou pretensão, achar que pode entender uma pessoa por um ou dois atos, duas ou três declarações, mas garanto que com o tempo a gente fica mais observador, antecipa mais as coisas e percebe mais rápido onde tudo vai parar. Acho que é o que chamam de experiência, ou velhice, tanto faz.
Não tenho mais paciência nem tolerância para gente que fura fila. Nem para motoristas de trânsito que entram pelo ladinho se metendo no meio dos outros que educadamente esperam sua vez. Não suporto gente que anda pelo acostamento ou buzina assim que o sinal abre. Gente que diz que pobre é vagabundo. Tenho dificuldade para entender como alguém joga lixo pela janela do carro, ou joga lixo no chão na rua, ou pega o carrinho dos outros no supermercado. Desconfio de gente que me chama de amigão sem nem me conhecer direito, ou pessoas que dizem eu me amo (eu sei, muita gente diz isso). Também não gosto de homem de cabelo comprido (se bem que não gosto de homem de jeito nenhum...), nem careca que usa o cabelo todo de um lado e puxa para o outro. Perdi a paciência para pessoas que querem me converter para sua religião, e gente que reclama de dor e diz que não gosta de tomar remédio. Atores vestidos de dentista em propaganda de pasta de dente, teste de brancura do Omo, loto, telesena, quina, fraude em licitação, bandido com celular em presídio. Não tenho mais tempo para pedreiros, marcineiros, encanadores, eletricistas e todos os demais prestadores de serviço que marcam e não vem. Para o cara da máquina de lavar roupa que sempre quer trocar tudo. Nem para o cara que conserta o micro que sempre quer formatar meu note como se as coisas que tenho nele não tivessem importância nenhuma. Cansei de repetir para a faxineira que as roupas escuras são lavadas separadas das claras. Economistas que dizem que devo comprar tudo à vista e não ter dívidas, artistas da Globo sendo elogiados pelo Faustão ("..o cara é gente da melhor qualidade, um dos maiores talentos da TV brasileira...), novela em que o cara malvado passa um ano metendo terror e leva um tapa na cara no último capítulo, livros para "Mulheres que sabem o que querem terem relacionamentos duradouros", matérias sobre o ano novo ao redor do mundo, reportagem de baleias transando ou tartarugas nascendo, revista prometendo barriga de tanquinho, modelo e atriz, gente sem talento tentando me convencer que é artista, gente sem desejo ou vontade. Pode ser que seja só cansaço ou estresse, mas relendo essa lista, tenho quase certeza de que não sou só eu quem cansou.
Enfim, virei um chato (ou será que sempre fui?). Mas sou divertido.
sábado, 9 de julho de 2011
Beijar, verbo transitivo.
Beijar é um verbo transitivo, requer complemento. Ninguém consegue beijar mais do que poucas partes de seu próprio corpo. Mas o beijo próprio não tem graça, porque beijar é um ato coletivo. O beijo foi feito para dois: nem um, nem três. É o beijo quem encontra. É o beijo quem despacha. No braço, o beijo da mãe tem efeito curativo; na mão do pai, o beijo abençoa. Na face, o beijo recebe e despede. Na boca, o beijo ensurdece; no corpo, enlouquece.
Pode ser um simples movimento dos lábios quando as faces estão coladas, como a respirar a alma do outro, ou pode ser um longo silêncio, como a respirar a boca do outro. O beijo pode ser mortal, pode ser de traição, pode ser um beijinho doce que foi ela quem trouxe de longe prá mim, ou o doce pode ser Beijinho. Pode ser abreviado e virtual — bjo —, ou muito longo para ser real. Jesus foi traído com um beijo, mas o beijo também perdoa. O beijo de amigos reencontra, e durante um beijo na boca, a gente se perde. O beijo bom estala, é molhado, quente, mordido, apimentado, atropelado, necessário. É roubado.
O beijo é o carinho da boca.
A boca pode ferir quando fala, mas pode perdoar quando beija. O beijo une os separados, sempre dois, sempre une, sempre é bom. E já que o beijo despacha, com um beijo despacho também este texto.
A boca pode ferir quando fala, mas pode perdoar quando beija. O beijo une os separados, sempre dois, sempre une, sempre é bom. E já que o beijo despacha, com um beijo despacho também este texto.
Na primeira linha da foto: Uma linda mulher, Crepúsculo, ...E o vento levou, Mr e Mrs Smith, Cidade dos anjos, Encontro marcado.
Na linha de baixo: Orgulho e preconceito, Bonequinha de luxo, Escrito nas estrelas, Ghost, Um lugar chamado Nothing Hill e Titanic.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Reencarnação e a segunda-feira da eternidade
Eu não acredito em reencarnação.
Até estava a fim de começar a estudar a Cabala. Achei legal, moderno. Mas depois que descobri nas primeiras páginas que a gente podia reencarnar em bichos, seres vegetais ou coisas inanimadas...bom, ficou difícil eu me imaginar um pé de mato no meio do nada, ou mesmo uma mesa de centro tendo que acompanhar várias gerações de dentistas. No meu pesadelo particular, o filho do dentista virou dentista também, e assim por várias gerações, sendo eu a mesa de centro do consultório que nunca era reformado. Uma espécie de dívida carmática por eu ter sido arquiteto e sempre querer reformar tudo o que eu via, exceto as coisas feitas pelo Oscar.
Depois, nunca me explicaram (mas eu sei que deve ter uma explicação) como o planeta está ficando mega lotado: se as almas ficam indo e voltando, de onde vem as novas? Sei que Deus tem uma sala que se chama Guf de onde saem as almas novas que vêm para a Terra carregadas por pardais (vi isso no filme A sétima Profecia com a Demi Moore espetacularmente linda, mesmo grávida). Mas...helloooo....isso é literatura. O fato é que ando pensando em qual motivo nos faz achar que na próxima vida seremos melhores do que nesta, e porque diabos deixamos isso para depois (acho que diabos não é uma boa expressão neste tipo de post).
Pense assim, talvez viver seja só uma etapa, e ser melhor seja somente a segunda-feira da eternidade. Eu explico: é como prometer que segunda-feira você vai começar o regime, ou ir na academia, ou parar de se meter na vida dos seus irmãos. Só que na dimensão da eternidade, a segunda-feira começa depois que a gente morre. Então, ah...vamos deixar para a outra vida, temos a eternidade para melhorar, para que tanta pressa,? Afinal, a eternidade é um monte de tempo. Por que não melhoramos agora?
Essa é a questão principal. Acho que devemos reencarnar constantemente. Eu não sou mais o mesmo que era antes, e serei diferente depois. A todo momento nos reinventamos, reeducamos, reformulamos. As coisas que antes não nos diziam respeito, agora nos fazem agir. Mesmo quando não quero mudar, os outros ao meu redor mudam e obrigam a minha mudança. No fundo de mim mesmo, tenho certeza que não sou mais aquele que fui. E assim vamos avançando, achando que na próxima vez seremos melhores, mas não percebemos que já somos melhores, agora. Talvez a ideia da vida eterna nos faça perder grandes oportunidades de mudança, sabemos que teremos outras chances, e procrastinamos. Acho que está na hora de mudarmos, perceber mais nossa mudança. Chega de esperar, chega de próximas vidas, chega de destinos escritos. Vamos nos rebelar e mudar agora. Uma nova revolução do agir! Mudar tudo, mudar todos!
Bom, mas vamos fazer isso outra hora, e enquanto isso não chega, vou tomar banho e dormir, prometo que segunda-feira vou começar essa revolução. Sem falta.
Sempre que escrevo posts que envolvem religião, me sinto meio culpado. Se você acredita em alguma dessas coisas, não fique chateado comigo, não faço por mal. Aqui eu só reciclo ideias.
domingo, 3 de julho de 2011
Lendas urbanas
Talvez a pior época fosse o verão no Rio Grande do Sul. Nesse tempo ainda não tínhamos uma distribuição de frutas e verduras o ano todo como hoje em dia, então para comer melancia e uva tinha que ser verão. Nessa época do ano eu, meu irmão e meus primos estávamos sempre alertas para que nenhum de nós morresse desavisadamente por ter comido um cacho de uvas depois de uma fatia de melancia. O risco era tão grande que quando meu pai chegava com uvas vindas da parreira do meu avô, as melancias iam para o lixo.
Mas não parava por aí. Minha mãe e suas irmãs juravam que meu avô tinha colocado um pedaço de melancia dentro de um copo de coca-cola, e a melancia tinha virado pedra. Mesmo que a gente repetisse a experiência diversas vezes todos os verões, nunca conseguimos o mesmo resultado, o que me faz imaginar que talvez meu avô Valdomiro fosse uma espécie de alquimista, como o cigano de “Cem dias de solidão”. A gente também não podia cortar cabelo, nem tomar banho depois de comer porque dava congestão. Não podia apontar para estrelas que nascia verruga, especialmente as Três Marias, que muito tempo depois descobri que fazem parte do cinturão de Órion. Não podia tomar café quente no vento porque a boca ficava torta. Não podia usar Havaianas porque separava os dedos. Não podia comer bolo quente porque dava dor de barriga, e nunca entendi a diferença entre a quentura do arroz e a do bolo, mas por certo a lógica não era o forte nas lendas urbanas.
No campo dos apavoramentos sociais tínhamos o “velho do saco”, pessoas que colocavam drogas nas balas e malucos que colocavam gilete em escorregador. Ou seja, não aceite nada de estranhos, não brinque sozinho no parquinho, não se aproxime de mendigos. Hoje as lendas que rondam a internet são mais pesadas: gatos criados dentro de garrafas, roubo de órgãos em festas, amostra de perfume com éter, coisas assim. Em compensação, é muito fácil desmascarar uma lenda urbana, basta ir ao site www.quatrocantos.com.br ou mesmo no Google e está tudo lá, desmistificado.
Não sei se nossas lendas me parecem mais ingênuas agora, mas tenho certeza que foram marcantes para toda minha geração. Algumas dessas coisas se desmascararam pela entrada em nossa família de outras famílias, que traziam suas próprias lendas diferentes das nossas. Mas o fato é que hoje eu bebo iogurte de pêssego sem medo, tomo banho depois que janto, uso Havaianas. Quanto a comer uvas e melancia, bem, sou obrigado a confessar que ainda não tenho coragem. Como dizia Sancho Pança, Yo no creo em bruxas, pero que las hay, las hay!
Já discuti alguns desses temas em outra postagem, se você quiser conhecer, vai lá.
http://ideiasrecicladas2.blogspot.com/2009/10/vou-bem-obrigado.html
terça-feira, 28 de junho de 2011
Meu amigo, Roberto Carlos
Uma professora que coordenava o curso de arquitetura quando eu dava aulas no Rio Grande do Sul era Monarquista. Entre os “excelentes” argumentos que ela tinha para uma família ter mais privilégios que todas as outras pessoas e ser sustentada pelo povo sem trabalhar, estava a idéia de que os brasileiros adoram reis. Temos o rei do futebol, o rei da soja, a rainha do volei, a rainha dos baixinhos, o rei da música. Ou seja, brasileiros são monarquistas.
Parece um argumento engraçado, mas é lamentável. Lamentável também é começar uma postagem sobre monarquia para falar do Rei, meu amigo, Roberto Carlos (leia com sotaque carioca e imagine a voz do Tremendão...se você é da geração Y, por enquanto basta saber que o Tremendão é o Erasmo Carlos. Não, ele não está morto).
Sexta fui a um show no Circo Voador no Rio, “Teresa Cristina e os Outros cantam Roberto Carlos”. Primeiro pensei que ela cantaria em ritmo de samba, sua praia, mas estava enganado. Com arranjos novos ela tocou somente músicas do Rei, e pela empolgação da galera posso dizer que me convenci (já estava convencido, mas nunca tinha parado para pensar nisso) que o cara é mesmo nosso Rei.
Apesar da obra extensa e com alguns momentos lamentáveis, Roberto Carlos cobriu praticamente toda a população brasileira: cristãos, gordinhas, caminhoneiros, taxistas, amantes, além da ampla gama de sentimentos cotidianos, ou não tão cotidianos assim. Fiquei lá pensando em uma ou outra música que eu nunca tinha ouvido, mas que muitas pessoas cantavam. O Rei falou com simplicidade e uma voz melodiosa sobre coisas do coração, as mais difíceis de entender, mais fáceis de sentir e terríveis de perder. Assim como os Beatles (me perdoem, Mirella e Gabriel) RC tem uma obra tão produtiva que possui pérolas pouco exploradas comercialmente de uma imensa variedade musical.
Também prestei atenção em algumas frases às quais nunca dei atenção, arduamente dividindo meu interesse entre as pernas magras da Teresa Cristina de minisaia rodada, e as letras que ela cantava tão bem. Em O Portão, sempre fiquei tão irritado com o "cachorro que sorriu latindo" que nunca percebi essa estrofe cheia de entrelinhas:
Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei.
Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei.
E não pense que são poucos acordes, são acordes suficientes em cada música para ter uma musicalidade que, se não é Jobim, também não é Chitão. Enfim, o Rei merece todo meu respeito e o de milhões de brasileiros que correm atrás de ingressos para um show dele onde quer que seja. Achei que tinha que dizer isso aqui, já que disse tantas outras coisas, não ia mudar nada expor detalhes tão pequenos de nós dois.
O Rei é o cara!
Desculpem a qualidade do video, mas ilustra sem foco as pernas da Teresa Cristina e o ambiente energizado do show. Prometo que vou comprar um celular que faça bons filmes.
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