No dia em que completei muitos anos de idade, tive uma festa hispano-brasileira. Meus bons amigos brasileiros Rafa e Lu; mais a Aline, o Antonio Amado e o Manel (de La Coruña) estavam comigo tomando umas caipirinhas na noite do dia 20 de junho. Amado e Manel trouxeram na bagagem outros sete novos amigos da Espanha, professores, arquitetos como eu, que me fazem acreditar ainda mais que a distância e as diferenças culturais são mero acaso, barreiras muito frágeis que podem ser vencidas com a facilidade de um sorriso cordial. Na festa com direito a "parabéns a você" bilíngue (uma rodada de cumpleaños felices num coral de espanhóis) nos conhecemos e entendemos como se fossemos antigos amigos, e tive mesmo a sensação de que um dia nossos territórios não estiveram separados pelo mar, assim como nossas crenças de uma arquitetura social, bela e justa compartilhavam o mesmo espaço. Nos dias seguintes passeamos por Brasília, nessa encantadora cidade planejada, vivenciando espaços e discutindo idéias de arquitetura e da vida, do modo como sempre achei que deveria ser a arquitetura: uma sifonia visual sobre uma pauta intencional, tocada pela vida cotidiana.













