sexta-feira, 8 de julho de 2011

Reencarnação e a segunda-feira da eternidade

Eu não acredito em reencarnação.
Até estava a fim de começar a estudar a Cabala. Achei legal, moderno. Mas depois que descobri nas primeiras páginas que a gente podia reencarnar em bichos, seres vegetais ou coisas inanimadas...bom, ficou difícil eu me imaginar um pé de mato no meio do nada, ou mesmo uma mesa de centro tendo que acompanhar várias gerações de dentistas. No meu pesadelo particular, o filho do dentista virou dentista também, e assim por várias gerações, sendo eu a mesa de centro do consultório que nunca era reformado. Uma espécie de dívida carmática por eu ter sido arquiteto e sempre querer reformar tudo o que eu via, exceto as coisas feitas pelo Oscar.

Depois, nunca me explicaram (mas eu sei que deve ter uma explicação) como o planeta está ficando mega lotado: se as almas ficam indo e voltando, de onde vem as novas? Sei que Deus tem uma sala que se chama Guf de onde saem as almas novas que vêm para a Terra carregadas por pardais (vi isso no filme A sétima Profecia com a Demi Moore espetacularmente linda, mesmo grávida). Mas...helloooo....isso é literatura. O fato é que ando pensando em qual motivo nos faz achar que na próxima vida seremos melhores do que nesta, e porque diabos deixamos isso para depois (acho que diabos não é uma boa expressão neste tipo de post).

Pense assim, talvez viver seja só uma etapa, e ser melhor seja somente a segunda-feira da eternidade. Eu explico: é como prometer que segunda-feira você vai começar o regime, ou ir na academia, ou parar de se meter na vida dos seus irmãos. Só que na dimensão da eternidade, a segunda-feira começa depois que a gente morre. Então, ah...vamos deixar para a outra vida, temos a eternidade para melhorar, para que tanta pressa,? Afinal, a eternidade é um monte de tempo. Por que não melhoramos agora?

Essa é a questão principal. Acho que devemos reencarnar constantemente. Eu não sou mais o mesmo que era antes, e serei diferente depois. A todo momento nos reinventamos, reeducamos, reformulamos. As coisas que antes não nos diziam respeito, agora nos fazem agir. Mesmo quando não quero mudar, os outros ao meu redor mudam e obrigam a minha mudança. No fundo de mim mesmo, tenho certeza que não sou mais aquele que fui. E assim vamos avançando, achando que na próxima vez seremos melhores, mas não percebemos que já somos melhores, agora.  Talvez a ideia da vida eterna nos faça perder grandes oportunidades de mudança, sabemos que teremos outras chances, e procrastinamos. Acho que está na hora de mudarmos, perceber mais nossa mudança. Chega de esperar, chega de próximas vidas, chega de destinos escritos. Vamos nos rebelar e mudar agora. Uma nova revolução do agir! Mudar tudo, mudar todos!
Bom, mas vamos fazer isso outra hora, e enquanto isso não chega, vou tomar banho e dormir, prometo que segunda-feira vou começar essa revolução. Sem falta.

Sempre que escrevo posts que envolvem religião, me sinto meio culpado. Se você acredita em alguma dessas coisas, não fique chateado comigo, não faço por mal. Aqui eu só reciclo ideias.

domingo, 3 de julho de 2011

Lendas urbanas

Na minha infância, o mundo era assombrado por lendas urbanas. Vivíamos em um estado permanente de tensão causado por suposições não muito bem fundamentadas sobre a vida cotidiana. Se você é da geração Y, talvez não entenda como alguém pode imaginar que leite faz mal com pêssego. Basta ir no Google e resolver a questão. Mas para nós da geração X, não havia outra fonte de consulta diferente de uma enciclopédia impressa. Desse modo era fácil uma simples suposição se espalhar como um vírus, sempre embasada em fatos não documentados, pois como disse o poeta Lulu, assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade.

Talvez a pior época fosse o verão no Rio Grande do Sul. Nesse tempo ainda não tínhamos uma distribuição de frutas e verduras o ano todo como hoje em dia, então para comer melancia e uva tinha que ser verão. Nessa época do ano eu, meu irmão e meus primos estávamos sempre alertas para que nenhum de nós morresse desavisadamente por ter comido um cacho de uvas depois de uma fatia de melancia. O risco era tão grande que quando meu pai chegava com uvas vindas da parreira do meu avô, as melancias iam para o lixo.

Mas não parava por aí. Minha mãe e suas irmãs juravam que meu avô tinha colocado um pedaço de melancia dentro de um copo de coca-cola, e a melancia tinha virado pedra. Mesmo que a gente repetisse a experiência diversas vezes todos os verões, nunca conseguimos o mesmo resultado, o que me faz imaginar que talvez meu avô Valdomiro fosse uma espécie de alquimista, como o cigano de “Cem dias de solidão”. A gente também não podia cortar cabelo, nem tomar banho depois de comer porque dava congestão. Não podia apontar para estrelas que nascia verruga, especialmente as Três Marias, que muito tempo depois descobri que fazem parte do cinturão de Órion. Não podia tomar café quente no vento porque a boca ficava torta. Não podia usar Havaianas porque separava os dedos. Não podia comer bolo quente porque dava dor de barriga, e nunca entendi a diferença entre a quentura do arroz e a do bolo, mas por certo a lógica não era o forte nas lendas urbanas.

No campo dos apavoramentos sociais tínhamos o “velho do saco”, pessoas que colocavam drogas nas balas e malucos que colocavam gilete em escorregador. Ou seja, não aceite nada de estranhos, não brinque sozinho no parquinho, não se aproxime de mendigos. Hoje as lendas que rondam a internet são mais pesadas: gatos criados dentro de garrafas, roubo de órgãos em festas, amostra de perfume com éter, coisas assim. Em compensação, é muito fácil desmascarar uma lenda urbana, basta ir ao site www.quatrocantos.com.br ou mesmo no Google e está tudo lá, desmistificado.

Não sei se nossas lendas me parecem mais ingênuas agora, mas tenho certeza que foram marcantes para toda minha geração. Algumas dessas coisas se desmascararam pela entrada em nossa família de outras famílias, que traziam suas próprias lendas diferentes das nossas. Mas o fato é que hoje eu bebo iogurte de pêssego sem medo, tomo banho depois que janto, uso Havaianas. Quanto a comer uvas e melancia, bem, sou obrigado a confessar que ainda não tenho coragem. Como dizia Sancho Pança, Yo no creo em bruxas, pero que las hay, las hay!

Já discuti alguns desses temas em outra postagem, se você quiser conhecer, vai lá.
http://ideiasrecicladas2.blogspot.com/2009/10/vou-bem-obrigado.html

terça-feira, 28 de junho de 2011

Meu amigo, Roberto Carlos

Uma professora que coordenava o curso de arquitetura quando eu dava aulas no Rio Grande do Sul era Monarquista. Entre os “excelentes” argumentos que ela tinha para uma família ter mais privilégios que todas as outras pessoas e ser sustentada pelo povo sem trabalhar, estava a idéia de que os brasileiros adoram reis. Temos o rei do futebol, o rei da soja, a rainha do volei, a rainha dos baixinhos, o rei da música. Ou seja, brasileiros são monarquistas.

Parece um argumento engraçado, mas é lamentável. Lamentável também é começar uma postagem sobre monarquia para falar do Rei, meu amigo, Roberto Carlos (leia com sotaque carioca e imagine a voz do Tremendão...se você é da geração Y, por enquanto basta saber que o Tremendão é o Erasmo Carlos. Não, ele não está morto).

Sexta fui a um show no Circo Voador no Rio, “Teresa Cristina e os Outros cantam Roberto Carlos”. Primeiro pensei que ela cantaria em ritmo de samba, sua praia, mas estava enganado. Com arranjos novos ela tocou somente músicas do Rei, e pela empolgação da galera posso dizer que me convenci (já estava convencido, mas nunca tinha parado para pensar nisso) que o cara é mesmo nosso Rei.

Apesar da obra extensa e com alguns momentos lamentáveis, Roberto Carlos cobriu praticamente toda a população brasileira: cristãos, gordinhas, caminhoneiros, taxistas, amantes, além da ampla gama de sentimentos cotidianos, ou não tão cotidianos assim. Fiquei lá pensando em uma ou outra música que eu nunca tinha ouvido, mas que muitas pessoas cantavam. O Rei falou com simplicidade e uma voz melodiosa sobre coisas do coração, as mais difíceis de entender, mais fáceis de sentir e terríveis de perder. Assim como os Beatles (me perdoem, Mirella e Gabriel) RC tem uma obra tão produtiva que possui pérolas pouco exploradas comercialmente de uma imensa variedade musical.

Também prestei atenção em algumas frases às quais nunca dei atenção, arduamente dividindo meu interesse entre as pernas magras da Teresa Cristina de minisaia rodada, e as letras que ela cantava tão bem. Em O Portão, sempre fiquei tão irritado com o "cachorro que sorriu latindo" que nunca percebi essa estrofe cheia de entrelinhas:

     Fui abrindo a porta devagar
     Mas deixei a luz entrar primeiro
     Todo meu passado iluminei
     E entrei.

E não pense que são poucos acordes, são acordes suficientes em cada música para ter uma musicalidade que, se não é Jobim, também não é Chitão. Enfim, o Rei merece todo meu respeito e o de milhões de brasileiros que correm atrás de ingressos para um show dele onde quer que seja. Achei que tinha que dizer isso aqui, já que disse tantas outras coisas, não ia mudar nada expor detalhes tão pequenos de nós dois.

O Rei é o cara!



Desculpem a qualidade do video, mas ilustra sem foco as pernas da Teresa Cristina e o ambiente energizado do show. Prometo que vou comprar um celular que faça bons filmes.

domingo, 26 de junho de 2011

Você não pode

Você pode desejar muito que faça sol amanhã, mas pode amanhecer chovendo. Pode precisar sair de casa e chegar rápido ao trabalho para fazer uma apresentação para seu chefe, e o trânsito pode estar ruim. Culpa da chuva, por isso você queria sol. Um caminhão tombou na pista escorregadia, e sua cidade está com 150 quilômetros de congestionamento. Pode comer um sanduíche no café da manhã na cantina do escritório, depois de chegar atrasado, e pingar sua camisa branca. Você vestiu branco porque lhe daria um ar mais jovial e você nem imaginava que naquele sanduíche tinha molho. Você pode querer, e não conseguir nada do que você quer. Mas não há nada a fazer pelas coisas que você não tem, você só pode decidir o que fazer em relação aos sentimentos que tem sobre as coisas que não saem como planejado, e aprender.

O Lama disse que devemos aprender uma coisa nova a cada dia, e conhecer pelo menos um novo lugar por ano. É verdade que ele também disse que a gente devia dançar como se ninguém estivesse olhando, e isso me fez parecer maluco na sexta. Mas ele está certo, acho que por isso ele é o Oceano da Sabedoria (Dalai Lama).

Alguém me falou que as coisas que acontecem não podem ser mudadas, estão fora de nosso controle. Elas são resultado de outras interações das quais não há critérios, o Fernando disse que “viver não é preciso”, e não é mesmo. Não há precisão nenhuma nas atitudes da vida. Você pode ir num show e não conhecer ninguém, e dois anos depois pode ir em outro e conhecer alguém que também estava no primeiro, ser tudo perfeito e você nem suspeitar que perdeu dois anos. Nada garante nenhuma das duas opções. O que você pode fazer, e isso é o mais difícil, é lidar com seus sentimentos. Viver o que estiver recebendo.

Como a vida é aleatória e cheia de variáveis incontroláveis, acabei descobrindo por intermédio de outros que o máximo que posso fazer é reduzir os problemas para um parâmetro um pouco mais racional. Posso nutrir o sentimento que eu quiser sobre o que me acontece (e o que acontece com os outros), e escolher entre sofrer ou ser feliz. O que me lembra da Liz Gilbert do Comer Rezar Amar, você pode escolher seus pensamentos todo dia da mesma forma que escolhe suas roupas. Por que vestir pensamentos feios e que não combinam com você? Pensamentos acabam se tornando atitudes, pensamentos positivos, atitudes positivas.

No final das contas, acho que o difícil é entender que somos limitados a coadjuvantes de uma grande trama da humanidade, onde cada peça faz do seu jeito e a seu modo, vamos tecendo nossas vidas de maneira coletiva. Da próxima vez que chover, você ficar preso no trânsito e sujar sua camisa minutos antes de uma apresentação importante, lembre disso, não havia nada no mundo que você pudesse fazer para acontecer diferente. Nem sempre a culpa pelo erro é nossa, por outro lado, somos nós os únicos responsáveis por nossa felicidade. Basta pensar. E sonhar. E viver.

Filosofia é aqui!

domingo, 19 de junho de 2011

O travesseiro de hotel

Deitei a cabeça no travesseiro do hotel.

Dois minutos e um pensamento relâmpago: Quantas cabeças já deitaram neste travesseiro? Primeiro pareceu nojento, depois oportunidade. Oportunidade para eu pensar em muitas coisas. Fiquei ali, deitado e refletindo quantas cabeças passaram por aquele travesseiro de hotel. Cabeças cheia de ideias, cabeças vazias, cabeças com problemas. Quantas soluções não foram encontradas, e quantos suspiros sufocados nas tantas fronhas que o vestiram. Quanto amor aquele travesseiro de hotel de praia tinha ouvido, e quantas juras que iriam acabar no correr do ano seguinte. Mas deve também ter ouvido juras que duraram para sempre, arfados de amor, elogios verdadeiros, lágrimas de saudade e uma voz infantil ouvida distante pelo telefone sobre a cabeceira.

Esse travesseiro viu muitas cabeças. Cabeças de vento, avoadas, divertidas. Cabeças sisudas e recatadas, cabeças sem cabelo, lindas, redondas, pesadas. Sei que passaram por ali cabeças que já não existem mais, é um hotel antigo, um travesseiro surrado. Mas sei também que passaram cabeças jovens, promissoras, que fizeram descobertas assim que deixaram o hotel. Ah, se esse travesseiro falasse, quanta coisa iria me dizer.

Ia me contar que dormiu ali um senhor muito inteligente, que descobriu uma fórmula para algum medicamento. E uma mulher linda, que encontrou seu amor na beira da praia do outro lado da rua. Ia contar que uma senhora escondeu suas jóias debaixo dele, e que um menino sem jóias dormiu com ele abraçado.Talvez esse travesseiro me ensinasse muito, com os tantos pensamentos que ele ouviu, preso naquele quarto sem saber que existe um mundo lá fora, ouviu línguas estranhas, sentiu cabelos de todas as texturas, descobriu o mundo de dentro de seu pequeno mundo naquele quarto de hotel. Quantos fossem os mundos que existiam distantes, naquele travesseiro, todos eles se encontraram.

Sorte de mim, que antes de poder conversar com o travesseiro sobre as maravilhas que ele podia dizer, adormeci. No outro dia fui embora, mas o travesseiro ficou lá, esperando o próximo sonho, a próxima lágrima, uma cabeça mais pesada, uma imaginação mais tranquila. 

Não sei se sonhei este post, mas tenho a sensação de que quem me ditou, foi ele.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diaristas

Alguém me mandou uma mensagem de final de ano em que falava de uma tal Dona Francisca, diarista que gostava de abraçar as pessoas. Parece que a dona Francisca tinha uma tese de que um abraço por dia é o mínimo para sobreviver, três energizam e quatro fazem a pessoa prosperar. Além de achar folclórico, também achei intrigante como algumas pessoas que trabalham para a gente vivem de forma otimista em um mundo paralelo que toca o nosso em alguns momentos por semana, as vezes por dias, as vezes por anos, mas que jamais se mistura de maneira permanente.

Quando eu era criança minha família tinha uma espécie de diarista de plantão. Ela praticamente trabalhava na casa de todos os irmãos da minha mãe, primos, tios, fazendo um importante trabalho de divulgar os problemas de uns para os outros, gerar fofocas e assunto. Era uma negra gorda, enorme, que teve tantos filhos e em circusntâncias tão adversas que chegou a perder a conta de quantos morreram. Dizem que quando nós éramos crianças ela nos levava à cavalo nas costas, e que começou a frequentar a família quando minha mãe e minhas tias também eram adolescentes. Dela só lembro o sorriso largo e o jeito despreocupado rindo por detrás de uma tábua de passar roupas.

Depois tivemos outra lá em casa. Se chamava Dora. Dora quebrava tudo. Era muito bruta, adorava homens e sempre estava envolvida em algum relacionamento errado. Além disso, por uns tempos resolveu ser testemunha de Jeová e parou de cortar os cabelos, mas parou também de usar desodorante, o que dificultava muito ficar perto dela.

Na entresafra de pessoas que faziam o serviço da casa, eu e meu irmão tínhamos que ajudar minha mãe nas coisas cotidianas como limpar o banheiro, passar o aspirador de pó, secar a louça. Passamos por uma doida que gostava de sentar na soleira da porta para fumar e contar piadas, até outra que estava levando na bolsa a raquete de tênis do meu pai.

Eu, de maneira independente, não tive muitas aventuras com contratações. Tirando Dona Nerci, um clone feminino do Mr. Magoo que levou para casa um pé de maconha de um amigo meu porque estava precisando de cuidados, quase nada de interessante aconteceu em termos de diarista. Recentemente teve a Glorinha, que até engraxava meus sapatos, mas que depois passou a limpar meu apartamenteo em vinte minutos, e a Alexandra, que me xingava dizendo que a casa estava muito bagunçada todo dia em que vinha trabalhar. Cheguei ao ponto de acordar mais cedo para arrumar a casa antes dela bater na porta.

Hoje de manhã a Vera, que agora limpa aqui em casa, chegou as sete e meia. Eu estava dormindo e dormindo continuei enquanto ela animadamente cantava limpando a cozinha. Fiquei pensando no que faz uma pessoa que tem quase vinte anos a mais do que eu ter tanta boa vontade, ao me ver, um cara folgado, acordar todo dia as oito e meia para ir trabalhar. Provavelmente ela acordou as cinco, saiu de casa as seis, trocou de ônibus e chegou aqui as sete e meia. Vai trabalhar o dia todo e ganhar cinquenta reais no final. Entre outras idéias, fico realmente pensando que é o trabalho que enobrece a alma.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Dubai - Complexo Madinat Jumeirah

No mesmo dia em que eu cheguei, quis conhecer um dos cartões postais mais famosos do mundo, o edifício Burj Al Arab na praia de Jumeirah, aquele em forma de vela. Jumeirah (leia Jumíra) é uma grande região da orla de Dubai. Ali um grupo empresarial com esse mesmo nome instalou alguns dos maiores conjuntos turísticos da cidade (o Hotel Jumeirah, o Burj Al Arab, o Wild Wadi Water Park e o complexo Madinat). Ouvi dizer que o Grupo Jumeirah é do Sheik, mas não sei se isso é verdade.
 

Bem, peguei um táxi e descobri que os táxis são muito baratos. Nossa moeda estava valorizada e valia o dobro dos Dirhans, uma beleza, considerando que a viagem de táxi do hotel até o Madinat custou menos de dez reais (de 3 a 4 quilometros). De cara tive uma surpresa agradável e impressionante. O Madinat é um grande centro de compras, hospedagem, restaurantes, lojas, bares, convenções e teatro. Construído com base na antiga arquitetura local, que utilizava pó de coral e areia, a sensação que se tem é de estar em uma cidade cenográfica na Disney, só que neste caso é uma cidade real, um complexo comercial, uma espécie de shopping center arábico.
No centro do Complexo Madinat existe um curso d´água por onde se pode andar de barco e se deslocar de uma ponta para a outra. Na sua orla ficam os bares e restaurantes, e numa noite seguinte voltei lá para fumar sisha (narguile) jogado nos almofadões de couro sob palmeiras. No Complexo existe um mercado (souk) que vende produtos árabes de diversas naturezas. Muitas lojas de tapetes, perfumes, souvenires e luminárias abrigadas em uma estrutura muito bem acabada em madeira. Logo que a gente entra se sente transportado para o oriente, uma sensação muito interessante e que eu voltaria a sentir muitas outras vezes.
















Neste local tirei algumas fotos, sempre impressionado pela qualidade espacial e pelas referências, pela habilidade de compor cenograficamente com elementos misturdos de arquiteturas diferentes. Na Dubai antiga, os prédios possuíam o que eles chamam e wind towers (torres de vento), uma espécie de torre com aberturas verticais estruturada em toras de madeira que capturava o ar sobre os telhados planos e canalizava para o interior das casas. Em Jumeirah tive meu primeiro contato com essa belíssima e emblemática estrutura, lá também tive o primeiro contato com o contraste entre a arquitetura local revisitada e a arquitetura high tech dos novos prédios. A imagem do Burj Al Arab em segundo plano sobre o complexo de linguagem antiga é uma imagem qe vou guardar para sempre comigo. Acho quefoi a primeira vez que achei que um neo pode ser algo interessante.

Muito bom, misturar é Dubai!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Dubai 01

Esclarecimento: Antes de mais nada, desculpem a falsa propaganda. Não consegui postar em Dubai porque o blogspot (e outros sites de blogs), o tumblr, o facebook e o orkut são sites controlados e é bem difícil acessar. Vou me redimindo aos poucos para registrar as coisas que vi.

Depois de 18 horas de viagem (sem contar uma espera de 13 horas em Johanesburgo) eis aqui Dubai.Cheguei no amanhecer, e de cara me deparei com  o sol do nascendo sobre o Deserto da Arábia. Nem dava para acreditar. Sempre sonhei em visitar este lugar, e de repente, estava lá de verdade.
De dentro do ônibus que me levava até o hotel comecei a ver ao vivo os ícones da arquitetura que tantas vezes vemos pela internet. Aos poucos eles iam surgindo, um a um, sem me dar tempo para respirar ou ajustar a velocidade do obturador: Emirates Towers, Burj Khalifa (o prédio mais alto do mundo), Burj Al Arab (o hotel em forma de vela), Jumeirah Hotel (em forma de onda), as estações de metrô, os arranha céus, as mesquitas, centenas de placas escritas em árabe.

Confesso que eu esperava uma cidade totalmente ocidentalizada, mas de cara deu para perceber que muito da tradição da arquitetura local foi preservada, além da indescritível areia espalhada por todos os cantos.

Dubai é uma cidade de circulação fácil, espalhada ao longo da orla do Golfo Pérsico e do Creek (um braço de mar que entra pelas terras áridas em direção ao deserto), tem uma grande inclinação à horizontalidade, mantendo os edifícios altos em áreas concentradas, especificamente as denominadas de Dubai Marina, Sheik Zayed Road (leia sheik Said), Financial Center e o lado oeste do Creek.

 

Dubai é uma cidade de circulação fácil, espalhada ao longo da orla do Golfo Pérsico e do Creek (um braço de mar que entra pelas terras áridas em direção ao deserto), tem uma grande inclinação à horizontalidade, mantendo os edifícios altos em áreas concentradas, especificamente as denominadas de Dubai Marina, Sheik Zayed Road (leia sheik Said), Financial Center e o lado oeste do Creek.

No dia em que cheguei saí para conhecer poucas coisas, o fuso de seis horas me derrubou por volta do meio dia, mas me recuperei bem à tarde. Meu hotel estava próximo do maior shopping center fora da América do Norte, o Mall of the Emirates, que inclui além de uma estação do metrô uma pista de esqui com neve artificial, um pouco longe da cidade antiga e do núcleo de edificações da Sheik Zayed, mas ainda assim em um local estratégico de onde era possível sair com tranquilidade para todos os lugares interessantes.
   

Depois de todos os impactos culturais da chegada, com direito a burcas e kandurahs com gutha vermelha e branca e agal (tudo bem, estou me exibindo, mais na frente explico o que é isso), fui direto para o complexo Madinat Jumeirah (leia Madiná Jumira), ao lado do prédio em forma de vela que deu fama à arquittura de Dubai. Lá tive uma das maiores surpresas arquitetônicas da minha vida, mas isso fica para outra postagem, por enquanto só queria dizer que fui e voltei.



 
Dubai e lá!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dubai? Eu bou!

Depois de idas e vindas, acabei decidindo ir mesmo a Dubai nas minhas férias. Tudo bem que a coincidência de o Internacional ir lá disputar o Campeonato Mundial Interclubes da Fifa fez alguma diferença, mas não é o motivo principal, é uma espécie de faísca numa montanha de pólvora.

Sempre tive curiosidade de visitar o Oriente e esta vai ser minha chance de começar a explorar o outro lado do mundo. Todo mundo me pergunta "Por que Dubai?", e a resposta é simples: é um lugar onde o Ocidente e Oriente podem conviver, daí que é como começar a viajar para a Europa entrando por Portugal, tudo fica mais fácil. De verdade, não sei se vai ser fácil assim como estou pensando, mas também não acho que possa ser uma coisa do outro mundo. Vamos ver se consigo postar alguma coisa de lá...a cidade é bem espalhada, e pelo que eu me conheço, vou caminhar muito (outra vez), mas assunto garanto que não vai faltar, serão 12 dias de Oriente Médio. Só de pensar que vou estar no Golfo Pérsico, ao lado do Irã, Iraque e Arábia Saudita já dá uma emoção. Talvez isto não seja assim tão emocionante, mas quero curtir essa viagem pensando nisso. Além do mais, o mundo árabe sempre tem um certo mistério, mesmo diante do high-tech de Dubai, nunca vi um deserto na minha vida, e vou começar direto pelo mais clássico da literatura, o Deserto da Arábia, quer coisa melhor?

Minha viagem começa dia 9 de dezembro, quarta-feira. Então, se você quer saber um pouco mais do que vai acontecer, siga o Ideias Recicladas (em breve também no Tumblr) e vamos nos divertindo.

Sobre a piada do título, substitua o D por T e o B por V...Tuvai? Eu vou!, sacou ou quer que eu desenhe?

Dubai vai ser aqui!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Os lençóis do Nobel

Alfred Nobel
http://mrullom.pbworks.com/Archives

"No dia em que exércitos inimigos possam aniquilar-se em um segundo, todas as nações civilizadas evitarão a guerra e desmobilizarão seus soldados. Por isso, minhas fábricas podem pôr termo à guerra mais rapidamente que seus congressos pela paz."

Alfred Nobel em carta para uma condessa pacifista de nome Bertha

Alfred Nobel nasceu em 1833 e não teve uma educação formal. Foi educado por professores em casa, mas mesmo assim se revelou um homem de grande visão. Sua família fabricava minas de guerra para abastecer o crescente mercado da Rússia. Quando as guerras escassearam e a família abriu falência, Alfred nasceu. Exímio em química, aos 30 anos conseguiu sua primeira patente para um detonador, aos 31 seu irmão morreu numa explosão quando fabricavam nitroglicerina, e aos 33 anos inventou a Dinamite. Ficou multimilionário fabricando canhões, granadas, minas terrestres e fuzis para o exército russo - mais de 500 mil! Não bastasse, encontrou óleo à flor da terra no Mar Cáspio e tornou-se um dos maiores magnatas de petróleo do mundo. Apaixonado por uma condessa pacifista de nome Bertha, com quem jamais se casaria, incluiu em seu testamento um prêmio dedicado aqueles que promovem a paz mundial.

Colocando o lençol na minha cama, aquele que tem elásticos, cheguei a conclusão de que Alfred Nobel deveria ter instituído também um prêmio Nobel para as Utilidades Domésticas. Quando eu era criança não existia Cama Box, ou se existia estava fora dos planos da minha família. Enfiar o lençol entre a armação da cama e o colchão era uma tarefa árdua, ainda mais para quem sempre roeu as unhas. Com os lençóis de elástico, o mundo doméstico foi domesticado. A gente pode se virar à vontade que ele nunca sai do lugar, basta uma esticadinha, e pronto!

Mas não é só isso. Pense em uma panela em que as coisas que a gente cozinha não grudam. Resolvi comprar umas panelas de Inox para mim, para me sentir mais chef e menos cozinheiro de passagem, mas não deu certo. Cozinhar até que vai bem, mas lavar...não tem cabimento, tudo grudado, crostas, queima no fundo. As panelas de T-fal, ou com revestimento em Teflon, são outra utilidade doméstica que merece um Nobel. Já que estamos falando de inventores, quem inventou a panela T-fal foi a empresa Tefal, norteamericana. Já o Teflon (inventado pela DuPont), é um polímero cujo nome verdadeiro é Politetrafluoretileno, considerado o material com menor atrito do mundo. Não se preocupe, mesmo com esse nome feio dizem que não faz mal à saúde.

Depois vem o papel higiênico. Nem preciso comentar...com pouco esforço (intelectual) já dá para imaginar sua vida sem ele. Basta um dia em que o papel acabou e não tem nenhum à mão para você ir direto do vaso sanitário (aliás, outra ótima idéia) para o chuveiro. Dizem que no oriente os caras usavam folhas de alface para essa mesma função. Eu, que já não gosto de salada, ia ter maior dificuldade em enfrentar uma folha no meu prato. A invenção do papel higiênico é atribuída a Joseph Gayetty nos Estados Unidos, mas quem realmente popularizou o papel higiênico transformando-o em rolos foram os irmãos Edward e Clarence Scott, o nome Scott lhe parece familiar?

Seguindo, pensei no controle remoto. Olha que maravilha! pouco necessário, mas muito prático, exceto quando desaparece. Dependendo da sua idade você vai lembrar que a gente tinha que levantar da cadeira para abaixar o som, trocar de canal e regular "a vertical", quando a imagem da televisão começava a correr verticalmente em listras horizontais pretas. Até o meio dos anos 70 as crianças eram o controle remoto. Lembrou? Na minha casa tinha uma TV com controle remoto, uma modernidade sem precedentes, devia ser nos anos 60 porque eu era muito pequeno. O controle parecia uma caixa do tamanho de uma barra de sabão grande, e certa vez o filho de um amigo do meu pai esculhambou com o controle de tanto trocar de canal. O mais legal é que nossa TV trocava de canal se alguém sacudisse um molho de chaves perto dela. Agora fico sentado na cama, três controles na mão, só zapeando e tirando o som nos comerciais. Nobel ia gostar de ver isso.

Eu podia ficar dias aqui falando sobre essas coisas fantásticas que entram na nossa vida sem pedir licença, que se popularizam de uma hora para outra e inovam em todos os sentidos, nos dando uma vida mais tranquila e um cotidiano mais domesticado, mas como estamos falando em coisas criativas, vou deixar sua imaginação voar solta e eleger seus próprios preferidos. Gaste alguns minutos com suas utilidades domésticas e dedique um Prêmio Nobel para os inventores anônimos que simplificam nosso dia a dia.

Imaginar é o negócio!

sábado, 21 de agosto de 2010

Privacidade, Andy Warhol, George Orwell e o Facebook

Na fila do caixa eletrônico, uma camerazinha no teto fica me olhando. No cruzamento de duas avenidas, uma câmera chamada Domus filma os infratores em 360 graus. No meu blog (este) entra quem quer e lê sobre a minha vida, escreve o que quiser nos comentários e vai embora. Pelo Google, mesmo que eu não queira, colocando meu nome aparecem X citações. Onde foi parar a tal privacidade?

George Orwell em "1984" (escrito em 1949!) já tratava da privacidade como um tema que seria crítico no futuro. O tal "Grande Irmão" (Big Brother, em inglês, de onde saiu o nome do programa que assombra a TV brasileira todos os verões) ficava observando todas as pessoas do planeta o tempo todo em grandes telas que diziam: "The Big Brother is watching you", algo do tipo, O Grande Irmão está de olho em você, ou coisa parecida. Ainda não chegamos lá, mas estamos no caminho.

Depois foi a vez de The Judge (O Juiz) com Stallone, um megadetetive hiperviolento que é descongelado para perseguir um serial killer em um mundo do futuro onde tudo funciona, e as pessoas são vigiadas o tempo todo por câmeras e dispositivos que, inclusive, emitem multas quando o cara fala um palavrão.

Andy Warhol falou que  "um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama", mas alguns filósofos contemporâneos já falam que "um dia, todos terão direito a 15 minutos de privacidade". É verdade que Warhol estava se referindo às celebridades instantâneas que estavam surgindo nos anos 60 e como a exposição pública se tornara uma meta de todos.

Atualmente cada compra que realizamos com cartão de crédito gera um banco de dados a nosso respeito. Não só informações básicas sobre onde moramos, qual banco utilizamos, nossa idade ou o número do cartão, mas informações sobre o que compramos, com que frequência, em que área física da cidade, em qual valor. Isso é uma importante ferramenta de mercado para quem que ir a fundo na pesquisa de clientes e buscar novos mercados ou mercados customizados.

Hoje o conceito de privacidade começa a mudar radicalmente. Já que estamos todos expostos, resta agora controlar o que pode e o que não pode ser exposto sobre nós. Matt Cohler, chefe da estratégia do Facebook (criado por Mark Zuckerberg), a maior rede de relacionamentos do mundo, explica que no passado privacidade era estar totalmente oculto ou totalmente visível das outras pessoas. Privado estava relacionado a segredo. Segundo Cohler, nos novos tempos, Privado não tem mais siginificado público versus oculto, mas sim quais informações quero compartilhar e com quem quero compartilhar. Dessa forma o Privado como a gente conhecia, secreto e pessoal, desaparece, e tudo que vamos ter serão níveis de acesso a nossas informações pessoais definidos por nós mesmos. Uma espécie de linha imaginária entre o que é nosso e de nossos amigos e o que é do mundo. Privado desaparece e surge o Nível de Compartilhado.

Depois disso tudo, acho que dá para dizer que a privacidade acabou, somos todos interligados, bem ao estilo de Hemingway, que tantas vezes citei aqui. Cada vez mais convergimos para uma visão familiar da humanidade, e as vezes tenho a sensação que estamos voltando para trás na genealogia da espécie, nos transformando em um único homem universal e uma única mulher universal. Adão e Eva, outra vez.
Privacidade não é aqui.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

RECICLADOS

Me hospedei em um hotel em Brasília. No final do primeiro dia tomei banho, usei uma toalha e fui dormir. No dia seguinte fui trabalhar.

Sustentabilidade é uma palavra da moda e serve para um monte de coisas. Entre elas serve para as empresas dizerem que fazem parte do movimento pelo Planeta, para na verdade não fazerem nada de diferente do que sempre fizeram e não se sentirem mal por isso. Nos hotéis, serve para fazer a gente usar vários dias a mesma toalha. Eu sei que em casa eu também uso a mesma toalha mais de uma vez, mas não é por uma questão ecológica ou sustentável, é porque dá preguiça levar a toalha na lavanderia todos os dias e não tenho lá tantas toalhas assim. Se eu usasse uma por dia teria que lavar minhas cinco toalhas todo sábado, mas no sábado e no domingo ia ter que ficar sem tomar banho, o que  vocês vão entender, não é possível. Mas os hotéis entraram nessa de salvar o planeta não lavando toalhas, e se você estiver a fim de curtir uma de milionário e jogar sua toalha molhada no chão, vai se sentir um irresponsável ecológico.

Engraçado disso é que os mesmos hotéis que pedem para a gente usar a toalha vários dias botam fora o sabonetinho mal e mal usado todo dia. Fiquei muito intrigado com isso. Como que eu não posso usar a toalha uma vez só, mas o sabonetinho que eu me ensaboei uma vez só (duas, de vez em quando, só para passar o tempo no chuveiro) pode ser jogado fora? E olha que eu nem tenho tanta área assim para acabar com um sabonetinho de hotel num banho só. Fiquei pensando por alguns dias em o que os hotéis fazem com aquele resto de sabonete que tiram do quarto da gente. Meu primeiro palpite foi que eles reciclam. Mas reciclar sabonete deve ser muito mais poluente do que lavar toalha, ou será que não?

Bom, fui procurar. A arrumadeira não sabia, o cara da portaria também não, nem o motorista do táxi (em geral eles sabem tudo). O encarregado de serviços gerais não fazia idéia, e o gerente me olhou com uma cara de quem achava que estava sendo filmado por uma camera escondida.  Eu não desisiti, alguém tinha que saber o que fazem com o sabonetinho usado. Imaginei que desmanchassem e fizessem outro sabonetinho, e naquele dia morri de nojo me ensaboando, imaginando quantos outros corpos eu estava passando no meu. Achei engraçado ter nojo do sabonete, um paradoxo. Quem me deu a resposta, obviamente, foi o Google. Pasmem, sabonete usado em hotéis é retransformado em detergente para limpeza em geral.

Fiquei muito animado com a idéia. Além disso, descobri que existe um selo sustentável para hotelaria, e que muitas pousadas já produzem sabonete e sabão a partir do óleo de cozinha utilizado por elas mesmas. Tudo muito legal e ecologicamente correto. De tudo isso, concluí que posso tomar banho e me secar com a mesma toalha várias vezes, e que não preciso ter nojo do sabonetinho do hotel. Agora só restou uma pergunta: se o hotel é mesmo tão preocupado com a sustentabilidade e lavar roupa, será que eles trocam os lençóis depois que a gente dorme lá só uma noite?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Eles estão entre nós

Geração Y em ação
Se você nasceu depois de 1985, “eles” no título desta postagem se refere a você. Embora existam variações, para efeitos didáticos as gerações se dividem nos baby-boomers, Geração X e Geração Y. Os baby-boomers são representados pelos nascidos após a segunda guerra mundial, e o nome deriva do boom de bebês que nasceram principalmente nos EUA com o retorno das tropas para casa. A partir de 1960 a nova geração é muito mais pragmática. As guerras da Coréia e depois Vietnã, os conflitos raciais, a contracultura são marcas de que o mundo não era exatamente como se esperava após a IIGG. Na sequência, chega a Geração Y. Denominados pela literatura como Geração Digital, Geração Internet ou Geração Y (no sentido de que vem logo após a Geração X), todos são unânimes quando afirmam que coletivamente este é o grupo de pessoas mais inteligente que a humanidade já produziu.

A multiplicidade de informações e a multiplicidade de equipamentos pelos quais se pode acessar, transformar e trocar informações é a principal característica deste novo tempo. No entanto, utilizar esta tecnologia requer o uso de estruturas mentais e maneiras de pensar que as gerações nascidas antes ou durante a transição não são capazes de desenvolver integralmente. Você já parou para pensar em sua geladeira como tecnologia? Ou na TV? Ou no telefone fixo? Nascidos numa época onde estas tecnologias já haviam sido desenvolvidas, a geração X não encontra dificuldades em utilizar estes equipamentos. Por outro lado, as tecnologias ascendentes após seu nascimento, contemporâneas a nós, requerem outras formas de pensar, outras estruturas de raciocínio, outra visão de praticamente tudo que se refere a relacionamentos, interação, presença física e espacialidade.

Este tipo de estrutura intelectual a Geração Y tem de sobra. Em termos de tecnologia aplicada, pela primeira vez na história da humanidade o conhecimento da tecnologia é construído a partir dos filhos para os pais. Os reflexos dessa nova modalidade de formatação do conhecimento familiar vou deixar para discutir em outra postagem.

A Geração Y é multitarefas. Criados sob estímulos múltiplos, são capazes de assistir TV, jogar um game no computador, fazer as tarefas escolares, ouvir música e teclar com os amigos em um chat. Como diz a música dos Titãs, tudo ao mesmo tempo agora. Mais do que isto, não são assistentes passivos da comunicação (como nós fomos em frente à televisão), são interagentes no conteúdo da internet. Customizam um player de música para tocar suas músicas favoritas, escolhem o que querem ler periodicamente como assinantes virtuais, criam perfis em sites de relacionamento e escolhem com quais pessoas querem se relacionar por intermédio de ferramentas de redes sociais, de acordo com suas preferências pessoais reduzindo as barreiras de preconceito. Customizam qualquer equipamento, aprendem sem ler os manuais. São muito mais ativos em termos de participação político-social, exercitam a cultura do fazer até aprender, se expõem mais, são autodidatas ou se educam comunitariamente. Por outro lado a Geração Y também é menos dedicada a compromissos duradouros, mais focada no prazer do que na responsabilidade, menos paciente e mais questionadora. O assunto é amplo para um post só, por isso comecei o que espero que seja uma série sobre a Geração Y. Tem sido um tema que tem chamado a minha atenção e vou compartilhar com vocês o que tenho descoberto. Quem sabe não nos preparamos melhor para nossos filhos e para o mercado de trabalho no futuro? Se você é um Y e teve paciência de ler até aqui, pode aproveitar para conhecer um pouco de você mesmo. Como diz o pórtico de Delfos: Conhece-te a ti mesmo.